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terça-feira, 13 de abril de 2010

O jogo.

Não me dê falsas esperanças, eu não sei jogar o seu jogo. Não olhe pra mim, fingindo que me vê: você vê um espelho. Se enxerga em mim, certo de ser a base da minha existência.
Não tente agora ser civilizado, para amahã me virar a cara. Não quero sua gentileza momentânea, sua crise de cavalheirismo. Sua inconstância me constrage e confunde.
Não levante a bandeira branca, pra depois de cinco minutos rasgá-la, e atirar com um canhão, risos, me tendo por alvo. Não são risos para mim, são risos de mim. E isso me leva à nocaute nos primeiros instantes de batalha.
Não me peça um aperto de mão: eu não o darei enquanto não tiver a certeza de que a trégua é pra sempre.
Tantos anos diante deste tabuleiro, e a cada segundo me convenço mais de que não. Eu não entendo você, eu não sei jogar o seu jogo.

sábado, 10 de abril de 2010

Chovia.

E ainda chovia

Quando de mim se despediu

Atravessou a avenida,

Deu as costas e partiu.

E você tão bem sorria,

Com sua mejilla carmim,

Que aquela chuva molhava

E afastava de mim.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Envelope.


Como?

Como reduzir algo grandioso

Em algo pequeno,

Porém valioso?

Como reduzir algo maior que eu

Em algo minúsculo

Para que seja seu?

Meu coração, coitado.

Pensa, sente, chora e sofre.

Por querer colocar (sem saber como)

O meu amor num envelope.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Perdão.


Hoje quero simplesmente lhe pedir perdão. Me desculpar por uma série de coisas que fiz, que não lhe agradaram. Perdoe-me, não era a minha intenção. Assumirei, nesta carta, todas as minhas culpas, quero me retratar.
Me desculpe por atravessar no seu caminho, sem querer, impedir sua passagem e causar constragimento. Ora, era meu dever saber que você passaria por ali, e buscar outro percurso. Inventar um, ainda que não houvesse como. Perdão por todas as vezes que nos esbarramos nos corredores da escola, da igreja e da vida. Eu deveria afastar-me dos meus próprios caminhos (até os planejados há muito tempo), se visse você a caminhar por eles, despretenciosamente. Claro, você não deveria mudar de rumo, mas eu deveria tê-lo feito, já que sou tão errada ao ponto de não ter querer.
Por Deus, me perdoe por sonhar com você durante algumas considerávais noites. Que direito tenho eu, miserável, em obter sua imagem perfeita em meus pensamentos sonolentos, na brisa da madrugada? Perdão por mais que sonhar dormindo, sonhar acordada com seu rosto impecável. Perdão por imaginar uma vida ao seu lado. Não mereço nem lançar-lhe um olhar casual, quanto mais desejar pertencer-lhe? Me desculpe, caro senhor, porque mesmo sabendo de minha tamanha insignificância diante da sua magnificência, desejei uma vida ao seu lado. Desvario! Perdoe-me por tanto tê-lo ofendido!
Perdão por ter-me enamorado até de seus defeitos. Mas que afronta! Que defeito que você possui, não é mesmo? Não, não, foi decretado: imaturidade e deboche aos que mais nos amam não é defeito. É um detalhe bobo, nada errado, nada cruel!
Perdoe-me por todas as lágrimas que derramei, acusando você de ser o motivo delas. Era só meninice minha, "coisa de mulherzinha"! Você me ridicularizar não é motivo de choro. É sua diversão, você tem todo direito de fazer de mim uma piada! Perdão por ser capaz de fazer tantas coisas para lhe ver sorrir, lhe fazer feliz. Já diz o ditado: "muito ajuda quem não atrapalha"! Peço mil perdões por rezar por você todas as noites, quem sou para desejar o bem para a sua vida? Não tenho o mínimo direito de intervir nela, nem em pensamento! Perdão por pensar que me ajudaria no pior momento da minha vida. Você é tão ocupado, por que haveria de se preocupar comigo, ter compaixão? Sandice de minha parte!
Por fim, me perdoe por lhe escrever versos, e por amigos meus terem lhe importunado em algumas ocasiões, fazendo-lhe ouvi-los e lê-los. É tudo culpa minha, eu deveria tê-los impedido. Aliás, eu nem deveria lhe ter escrito. É como já dizia um ilustre poeta, de quem minha mãe sempre me falava: "o que escrevo é infantil e absurdo, é fantasia, e afinal tens razão... nem sei por que te escrevo!". Perdoe-me por pensar que lhe dava mais importância que a mim mesma: ora, eu já não tenho mesmo importância nenhuma. - Não há do que me vagloriar! - Perdão por lhe dar minha vida, por lhe amar demais. Se é que eu, desprezível, sei amar. Pensei que amasse, porque ouvi dizer certa vez, que amar consistia em abaixar-se. Achei que estender-me no chão por você seria amor, mas acho que não é o bastante. Foi tudo o que pude fazer, mas deve ser menos do que você merece. Deitei-me sobre a lama porque quis, não tenho direito de lhe culpar. Mais uma vez, peço que me perdoe. Eu, tão medíocre, julgava saber o que é amar.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Dia do Jornalista.


Neste ano, mais do que os outros, me sinto na obrigação de lembrar esta data. Agora, que me encontro tão perto de abraçar o estudo que me levará à profissão que sempre desejei: JORNALISTA.
As palavras, pra mim, sempre foram algo mágico, encantador. Foi fácil me apaixonar por elas. Escolher uma profissão em que eu estivesse constantemente unida a elas, não foi tão fácil assim. Decidir-me pelo jornalismo implicou muitas coisas que antes eu nem imaginava: a falta de apoio dos familiares, diante de um mercado de trabalho que vem tornando-se difícil, era a principal delas. Reconhecer que eles tinham razão era como desistir. Mas não foi desistência. Foi, mais do que nunca, amor e abraço incondicionais à minha futura profissão.
Ser jornalista é amar as palavras e expressar através delas, as verdades do mundo, ainda que doam. Ser jornalista é muito mais que publicar acontecimentos, é mostrá-los com suas diversas faces: boas, ruins e intensas. Ser jornalista é tentar curar a cegueira do mundo, abrir os olhos da humanidade pra luz, mas também pras trevas. O jornalista não é o dono da verdade: mas é o porta-voz dela.
Deixo aqui, então, uma humilde homenagem aos meus futuros colegas de profissão. Sintam-se PARABENIZADOS!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dizem que cega estou.

A cegueira que vêm em mim, nada mais é que relativa. Não sinto-me cega, sinto-me viva. E enxergando como nunca! Ora, se sou cega porque me doo, pretendo permanecer na minha cegueira de ver melhor. Ocupar-me das coisas de Deus, pra mim, não é fardo. É alegria, satisfação. O que são as horas do meu dia ofertadas, diante de uma vida doada dolorosamente numa cruz?
"Dizem que cega estou, e que Jesus tornou-me assim. Mas na verdade, eu sei que apaixonada estou, por Ti, Senhor. POR TI, SENHOR! SENHOR, APAIXONADA ESTOU, E QUERO TODA A MINHA VIDA VIVER ASSIM, SÓ PARA TI!"
"Diz-me o mundo: 'ah, cessa de cantar! Não percas teu perfume. Tua vida, utilmente procura empregar!'. Amar-Te, Jesus, que perda fecunda!"


domingo, 4 de abril de 2010

Ressuscitado.

Como explicar o que parece tão inexplicável? Deus que enviou seu único Filho ao mundo, numa missão de redenção e resgate das almas humanas. Haveria maior mistério? Em seu Unigênito, era o próprio Deus que se fazia homem e habitava em nosso meio. Foi igual a nós em tudo: menos no pecado. Curou doentes, redimiu os que pareciam perdidos, nos trouxe a paz.
Não agradou a todos, foi julgado, cuspido, torturado, desprezado, pisado, crucificado. Os mesmos por quem Ele viera, condenavam-O. E Ele não hesitou ao dar sua vida, a amar até as últimas consequências. Tamanha dor sentida, preço da liberdade de tantos ingratos. Mas a incondicionalidade desse amor trouxe para perto de Deus tantos humildes, querendo amá-Lo de volta. Como não apaixonar-se diante de tamanha incondicionalidade? Não sei responder, porque há muito venho me apaixonando.
Quem é esse Deus, que se curva, abaixando-se à nossa miséria para nos alcançar? Quem é esse Deus misericordioso, capaz de apagar nossas culpas e querer-nos sempre perto d'Ele, como filhos? Quem é esse Deus que paga com a própria vida o preço da nossa liberdade? Quem é esse Deus capaz de morrer por nós e ressurgir ao terceiro dia? Quem é Ele, afinal? Ele morreu na sexta-feira, mas hoje ressuscitou. O nome d'Ele é amor... E o seu rosto também.