Mas agora, no fim
Te sou grata
Obrigada pela breve loucura
Obrigada pela breve doçura
Obrigada pelas rimas de volta
Enfim
Obrigada porque
À minha maneira torta
Meu quase amor por você
Reviveu meu amor por mim
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sábado, 16 de janeiro de 2016
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Ele
Os fogos de artifício pintando o céu com multicores, e ela ali, num cantinho da varanda, encostadinha na grade. Olhava tudo encantada, tinha fé no novo. Tinha fé em Deus. Com o coração acelerado e a respiração ofegante, pedia, pedia, pedia.
- Qual o teu desejo de ano novo, menina? - perguntaram.
- Ele. - respondeu com os olhos brilhando.
- Qual o teu desejo de ano novo, menina? - perguntaram.
- Ele. - respondeu com os olhos brilhando.
Amanhecendo
Que nosso amor amanheça
Junto ao primeiro sol do ano
Que a gente se mereça
Que não seja engano
Que a gente plante rosas
Que tenha verso e prosas
Pra gente se rimar
Neste ano novo, de uma vida breve
Que o vento passe e leve
O que nos afastar
domingo, 27 de dezembro de 2015
Eu sei que vou te amar
Te escrevo sabendo apenas que você virá. E falo assim, sem mais receio de parecer louca e/ou tonta, só porque sei que você é, em algum lugar desse mundão de meu Deus. É você. E eu exercito a minha fé ao te falar assim, com tanta convicção. Eu te acredito e sigo fazendo de você a minha prece de Natal, meu desejo de Ano Novo, meu pedido a estrelas cadentes. Mas não peço para que você exista, nem que sua chegada seja antecipada. Sei que você é. Sei que você vem. Leve o tempo que precisar para que seja pra sempre. Eu só peço a graça de te reconhecer. Peço o dom de te olhar e, desde a primeira vez, saber que eu vou te amar.
Não, não vai ser amor à primeira vista, essa coisa vazia. Mas, à primeira vista, vou saber ver em você terreno fértil pro meu amor brotar. E então ele não será mais meu, e sim nosso. Vou - vamos! - pouco a pouco cuidando da terra e, quando nos dermos conta... Teremos botões de rosas brotando por todo canto dentro de nós. E mesmo agora, que nem chegou a hora de semear, já me pego olhando as sementes tão lindas e intocadas que tenho em mim, imaginando-as florir. Dentro do peito, meu amor dorme o sono dos justos. Foi quase acordado por alguns, mas ainda não era hora dele despertar. E nenhum dos despertadores era você. Apenas quando você vier é que ele vai se espreguiçar debaixo das cobertas e levantar feliz, satisfeito. Acordar pra vida. A nossa vida. Só você pode me acordar o peito e eu vou saber disso quando te ver.
No mais, desde já desejo que a gente se reconheça, se encontre (no sentido mais amplo que a palavra possa ter) e se ame. Desejo pra gente mãos dadas na beira da praia, sete ondas puladas nos próximos réveillons, dormidas juntos de conchinha, risos doces... E por falar em doce, desejo pra gente algodão doce, bolo de cenoura com calda de chocolate, sorvete, fins de tardes dominicais no parque. Desejo pra gente pores do sol, nasceres do sol, luas cheias, eclipses, banhos de chuva, de piscina, de mar... Mas de chuveiro também vale. Desejo que a minha bagagem não te incomode, só te acrescente; e que a sua seja da mesma forma pra mim. Desejo pra gente voz e violão, letra e música, sons. Uma trilha sonora memorável. Desejo pra gente filhos, dois pares de olhos sempre brilhando, aplausos sinceros de um para as conquistas do outro. Alegrias multiplicadas, dores divididas. Brigas. Pras pazes virem se fazendo amor. Eu desejo tanto pra gente, e desejo tanto a gente, que eu sei: quando te ver, vou ter a certeza de que vou te amar.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Pressa de amar. Prece de amor.
Os dias começavam a variar a velocidade com a qual passavam. Novembro, tão doce, parecia ter ido embora como que em uma semana. Dezembro já chegava mais austero, como que cobrando racionalidade, apontando o fim de um ano difícil. Pela dificuldade toda da vida, o fim do ano era consolo. Mas, por outro lado, era uma espécie de cobrança de realidade. Era algo que parecia querer estipular um prazo de validade para aquela coisa - nova, mas velha conhecida - que teimava em ocupar espaços no peito dela durante as últimas semanas. Só que tudo não passava de abstração. O tempo que aquilo levaria era indefinido. Ela poderia estar curada em um dia, uma semana, um mês, um ano... Ou nunca. Não era possível prever.
E enquanto continuava imersa neste tempo indefinido, seguia sonhando com ele. Todas as noites. Desde a primeira vez que o vira. Os sonhos eram diferentes, mas no geral tinham o mesmo enredo. Era sempre ela indo atrás dele: batendo à sua porta, telefonando, mandando mensagens. Podia ser um sinal do universo para que ela o procurasse. Ou só o reflexo da sua vontade reprimida. Ela queria, mais que qualquer coisa naqueles dias, procurar por ele. Mas não sabia como, e muito menos se era a coisa mais correta e sã a se fazer.
Sanidade. A dela parecia ter se esvaído. Ou estava momentaneamente escondida num lugar que ela não sabia onde ficava. Mas estava tentando não pensar naquilo, naquele momento. Estava estranhando seus próprios desejos e atitudes, porém, achava que a sensação merecia ser desfrutada. Afinal, poderia ir embora da mesma forma repentina como havia chegado.
Era uma agonia inebriante e tudo que ela conseguia fazer era sentir a necessidade de mais. Sentia falta dele como se sente a falta de gente muito especial na vida, só que mal o conhecia. Tinha saudade dos poucos dias em que pôde acordar com ele por perto. Tinha uma vontade desesperada de voltar no tempo. Mas como é sabido de todas as gentes, isso não é permitido a ninguém. Ela teria de construir novas lembranças. Não poderia voltar, só seguir e esperar com todo coração que o encontrasse de novo em alguma esquina, algum lugar. Não tinha mais a quem recorrer, senão a Deus, anjos, santos, rosas... Pedia perdão antes de cada prece, pensando estar gastando sua fé com coisa tão pequena, mas ainda assim, rezava. Suplicava. Fazia novenas. Ficava se perguntando se não seria pecado pedir a Deus o coração daquele moço, com um mundo todo sofrendo tanto por causas mais sérias, mais reais. Mas mesmo assim, não deixava de pedir. Era só o que podia fazer. E era tudo o que faria. E continuaria fazendo. Até que o céu a ouvisse. Até que suas orações a levassem para junto dele outra vez.
domingo, 4 de outubro de 2015
A verdade
Você foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. Não quero parecer rude. Mas o que se há de dizer sobre esses amores que destroçam a gente por dentro e que tornam lágrimas coisas banais do cotidiano? O (nosso amor) meu amor por você era desses. Meus amigos me viam chorando pelos cantos e já sabiam o motivo. Você. As burradas que você fazia. Aquele seu jeito cheio de si, mas ao mesmo tempo completamente infantil, de fazer piada sobre o que me batia no peito. A sua mania feia de fazer pouco caso de mim quando a sua "galera" estava por perto.
"Ele não te merece": frase recorrente na boca dos meus amigos, que acertavam meus ouvidos e ecoavam dentro da minha cabeça. Mantra alheio que fazia eu me perguntar quão pequena eu poderia ser para caber no teu merecimento. Eu cogitava me diminuir, se fosse o caso de realmente acreditar que era muito pra você e não o contrário. Pra mim, aos meus olhos - míopes -, à minha audição - prejudicada -, aos meus sentidos - tortos -, ao meu coração - eternamente descompassado -, era sempre você o lado grande da história.
Mas sabe o mais irônico? Se eu sorria bobo e largo, todo mundo também sabia que era por sua causa. Você precisava de pouco, muito pouco, para me emanar doçura. Para me dar sonhos bons de madrugada. Suspiros no meio das aulas de Matemática. Poesia - que, claro, eu que escrevia - nas aulas de Literatura. Relatos repletos de alegria apaixonada no meu querido diário. Hoje eu leio as coisas que escrevia naqueles caderninhos e só consigo sentir vergonha alheia de mim mesma. Sim, alheia. Porque aquela não sou eu. Não mais. E você também é o motivo.
Obrigada por me ensinar tanto sobre mim. Te amando, eu vivi um autoconhecimento que talvez eu não tenha mais na vida, de uma maneira tão profunda, e decisiva, e válida. Te amando, vi que perdão é uma arte que demanda mais tempo do que palavras. Percebi, depois de muito murro em ponta de faca, que Deus disse para nós amarmos o próximo como a nós mesmos, logo, se eu não me amar primeiro, não tenho condições de amar ninguém de forma saudável. Depois de Deus, eu tenho que ser o meu primeiro amor. E permanente. Te amando, descobri que é nobre - não bobo - querer o bem a quem nos faz mal. E percebi também que nem todo mal que nos fazem é intencionalmente. Te amando, eu acreditei e desacreditei em destino e alma gêmea. Eu percebi que planos a longo prazo têm grandes chances de serem modificados, porque a vida muda e com ela, a gente muda também. E mudam os quereres. E isso não é ruim! Mover-se é não estar no mesmo lugar, é não querer o mesmo lugar. Isso é rico. Te amando, eu fui de sonhadora-romântica-primordialmente-platônica-iludida-apaixonada-esperando-conto-de-fadas a jovem moderna que escolheu a racionalidade por porto seguro. Percorri esse longo caminho pra depois recuar um pouco e escolher ficar no meio termo. Equilíbrio, enfim.
Depois de te amar, confirmei que amor não acaba, muda. De pronto, onosso meu se tornou raiva, mágoa, veneno, trauma, e depois de tanto despejar dentro de mim essa coisa amarga, virou paz. Virou a história engraçada, inusitada, maluca, infantil e apesar de tudo doce, que eu conto até hoje. Que eu acho que vou contar sempre. Que acho, inclusive, que vou usar de exemplo para consolar as dores adolescentes dos filhos que ainda quero ter na vida, e veja só, não com você. Depois do amor, vivi um tempo de clausura nos meus próprios porões. E vi que fui eu que me tranquei, pelo lado de dentro. E aí, depois de muito te perdoar em silêncio, tive que te pedir perdão. Finalmente reconheci que não era justo colocar na sua conta todos os meus medos e frustrações. Vi que não era certo com você, e nem comigo, eu te usar como desculpa para não seguir em frente. Foi então que pedi perdão a mim, e me perdoei.
Eu te desejo muita luz, muito amor, muita fé, muito axé, muitas coisas lindas, longe de mim. E longe de ti, me desejo o mesmo, que também sou filha de Deus e, hoje sei, não sou menor que ninguém. Amado, você foi a melhor pior coisa que aconteceu na minha vida. Gratidão.
"Ele não te merece": frase recorrente na boca dos meus amigos, que acertavam meus ouvidos e ecoavam dentro da minha cabeça. Mantra alheio que fazia eu me perguntar quão pequena eu poderia ser para caber no teu merecimento. Eu cogitava me diminuir, se fosse o caso de realmente acreditar que era muito pra você e não o contrário. Pra mim, aos meus olhos - míopes -, à minha audição - prejudicada -, aos meus sentidos - tortos -, ao meu coração - eternamente descompassado -, era sempre você o lado grande da história.
Mas sabe o mais irônico? Se eu sorria bobo e largo, todo mundo também sabia que era por sua causa. Você precisava de pouco, muito pouco, para me emanar doçura. Para me dar sonhos bons de madrugada. Suspiros no meio das aulas de Matemática. Poesia - que, claro, eu que escrevia - nas aulas de Literatura. Relatos repletos de alegria apaixonada no meu querido diário. Hoje eu leio as coisas que escrevia naqueles caderninhos e só consigo sentir vergonha alheia de mim mesma. Sim, alheia. Porque aquela não sou eu. Não mais. E você também é o motivo.
Obrigada por me ensinar tanto sobre mim. Te amando, eu vivi um autoconhecimento que talvez eu não tenha mais na vida, de uma maneira tão profunda, e decisiva, e válida. Te amando, vi que perdão é uma arte que demanda mais tempo do que palavras. Percebi, depois de muito murro em ponta de faca, que Deus disse para nós amarmos o próximo como a nós mesmos, logo, se eu não me amar primeiro, não tenho condições de amar ninguém de forma saudável. Depois de Deus, eu tenho que ser o meu primeiro amor. E permanente. Te amando, descobri que é nobre - não bobo - querer o bem a quem nos faz mal. E percebi também que nem todo mal que nos fazem é intencionalmente. Te amando, eu acreditei e desacreditei em destino e alma gêmea. Eu percebi que planos a longo prazo têm grandes chances de serem modificados, porque a vida muda e com ela, a gente muda também. E mudam os quereres. E isso não é ruim! Mover-se é não estar no mesmo lugar, é não querer o mesmo lugar. Isso é rico. Te amando, eu fui de sonhadora-romântica-primordialmente-platônica-iludida-apaixonada-esperando-conto-de-fadas a jovem moderna que escolheu a racionalidade por porto seguro. Percorri esse longo caminho pra depois recuar um pouco e escolher ficar no meio termo. Equilíbrio, enfim.
Depois de te amar, confirmei que amor não acaba, muda. De pronto, o
Eu te desejo muita luz, muito amor, muita fé, muito axé, muitas coisas lindas, longe de mim. E longe de ti, me desejo o mesmo, que também sou filha de Deus e, hoje sei, não sou menor que ninguém. Amado, você foi a melhor pior coisa que aconteceu na minha vida. Gratidão.
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sábado, 27 de junho de 2015
Vecchio
Não tenho escrito nada de muito valor desde que nosso laço afrouxou. Ele que esteve tão firme, com fitas brilhantes, agora está quase que desatado por completo. Uma pena. Em consequência disso, me falta inspiração. Mas quero te dizer que fui feliz. Nossa relação cintilava. Nos entendíamos como poucos, sendo poucos, dentre muitos. E os dias em que você não ligava se arrastavam pela passarela do tempo. Às vezes, minha primeira frase pela manhã, ao falar com Deus, era "que ele me ligue hoje. Amém!". Nem sempre o amém se fez. Mas quando se fez, eu fui muito feliz. Eram minutos vários, alguns que até se faziam hora, e eu me sentia bem. Toda aquela euforia doce que eu já conhecia, agora tomava uma forma inédita: conseguia, em meio ao descompasso do meu coração, ser serena.
Tem dias, como hoje, que a falta de você lateja. Às vezes penso em telefonar, perguntar como foi o dia, como têm sido os dias longe de mim... Mas tenho medo da resposta. Coragem nunca foi o meu forte. Nem frieza. Aí fico aqui no meu canto, curtindo o que me resta: a memória de um calor que não mais me aquece. Sabe, velho, naquela época eu poderia jurar que... Mentira. Eu não jurava. Duvidava até a última gota. Talvez por isso mesmo hoje estejamos como estamos. Você aí. Eu aqui. E vale ressaltar que entre "aí" e "aqui" parece haver um largo abismo. Safo mesmo é Frejat, que sabe ler sinais do corpo em conversas demoradas. Eu, analfabeta sentimental, não soube. Ou soube e fingi não saber porque, pra variar, tive medo.
Essa semana eu estive pensando em como tudo teria sido diferente se você tivesse falado o que eu queria ouvir assim, com todas as letras. Pensei em como nosso destino seria outro se, ao invés de esperar que minha autoestima limitada juntasse lé com cré, você tivesse ido direto ao ponto, como tantos outros fazem. Mas talvez o meu medo tivesse me segurado da mesma forma, e depois de ir direto ao ponto, você voltasse com as mãos vazias de mim e eu pegasse o caminho oposto com as mãos vazias de você, como sempre é. E aí você iria parar na minha galeria dos outros, que tocaram a campainha e deram com a cara na minha porta. Eu e minha incapacidade de doação afetiva teríamos transformado você em mais um que não foi convidado para festa. Só que não seria verdade. Na real, você deveria ter passe livre. E talvez eu só esteja dizendo isso, da sua entrada liberada, porque sei que você não vem mais. Tenho um tesão louco por impossibilidades.
No fundo, no fundo... Não sei se a nossa amizade era de fato benéfica pra mim. Sempre, em alguns trechos do caminho, eu terminava alimentando uma ponta de ilusão. Acho que era ilusão. Hoje, olhando aquilo que a gente tinha, não dizer o que era realidade e o que era fruto da minha imaginação fértil. Para mais, ou para menos. Sim, porque eu posso ter criado em alguns momentos a ilusão de que você me amava. Mas, pelo medo de sempre, eu posso também ter justamente me iludido pelo contrário. Pelo sim ou pelo não, é bom que eu não te tenha com justificativas ambíguas. As duas possibilidades seriam dolorosas: ter desperdiçado - por pura cegueira - o amor que você tinha para mim; ou ter te perdido justamente porque nunca tive, e porque você nunca me amou. O meio-termo me conforta mais. Ficar pensando nessa história e nos seus "ses" desvia um pouco minha atenção do final indesejado. Ou inevitável. Por via das dúvidas, foi a maldade do tempo que quis que você estivesse aí e eu aqui. Só porque "aí" e "aqui" nunca serão o mesmo tempo, nem o mesmo lugar. Nem o mesmo querer. Nem o mesmo nada. "Aqui" e "aí" são ridícula, imutável e cruelmente opostos. Água e óleo.
Mas sabe que ainda acho que seria bom se você viesse, velho? Nem que fosse para, ao se tornar possível e ao alcance, me fazer deixar de te querer.
sábado, 17 de janeiro de 2015
Sua
Porque bateu de novo essa vontade
De chegar mais perto de você
De te ver chegar sem muito alarde
E com o olhar meu corpo aquecer
Mas aí me lembro como é tarde
E isso aqui bem no meu peito
Não pode, não deve ser amor
Se não faz sentido, nem é direito
Você, de existir, me despertar calor
Eu só sei que a boca cala
E o corpo pede
E a memória lembra o que nem foi
Você é meu inferno plural
Pronome singularmente astral
Que é único, mas muito para ser um só
Te amo pedindo pra te odiar
Te odeio jurando não te esquecer
Me afasto querendo me aproximar
Te toco implorando pra enlouquecer
Sou barco à deriva
Vou onde a maré levar
Com uma vontade ensandecida
De sonhar com você
Pra não acordar
Vou me perdendo na chama
Que me consome
Sendo terreno fértil, abandonado
Mas escriturado
No seu nome
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Como se fosse música
Chegou o dia. Mal posso respirar. Deus, eu preciso lembrar de colocar ar nos pulmões. O zíper do vestido quase não fechou. E eu que tava com medo da roupa ficar folgada, porque nos últimos dias minha alimentação esteve um fracasso. Perco o apetite em situações de ansiedade. Mas de uma forma surpreendente, eu ganhei um quilo ou dois. Sorrio com o canto dos lábios e penso que é porque até a balança vê o bem que você me faz. Você me nutre.
Hoje é o dia mais feliz e desesperador da minha vida. A imprevisibilidade do que vem depois dá um nó cego na minha garganta. E ao mesmo tempo, é justamente o não saber que me leva a insistir. Porque são sempre cinquenta por cento de chance pra cada lado, êxito e fracasso. Não é assim?
Lembro do dia que você pediu a minha mão. Respondi te dando o corpo, que já era seu há tempos. Meu sim foi quase desesperado de tão lascivo. Nos amamos ali mesmo, no apartamento que hoje está mobiliado e decorado com o nosso jeito, nossa cara, pronto pra nos receber como marido e mulher, depois da cerimônia. Nos amamos naquela casa, à época vazia, que hoje está pronta pra acolher nosso amor em nossa primeira noite de casados. Em seguida partimos para lua de mel e aí retornamos, para começarmos a vida. Voltaremos ao mesmo apartamento para, sob o mesmo teto onde nos amamos daquele jeito tão intenso, criarmos nossos filhos, que virão. Frutos da nossa intensidade e nossa doçura, que eu sei que virão.
Respirar, respirar. Não posso esquecer de respirar. O céu está um absurdo de lindo, e tento entender isso como um recado de bom presságio, enviado pelo destino. Mas o coração insiste em querer sair pela boca, e eu suo frio. É medo. Medo típico de gente que já teve o coração partido em mil pedaços. Medo de quem tem medo de te perder. Mas apesar da agonia, eu quero dizer que acredito no amor que você sente por mim, e sei que é real o bem que você me faz. Você me tirou do meu breu, e só isso já vale um punhado considerável de gratidão. E tem ainda todo esse amor que eu te dou de volta, como que pagando uma dívida de vida. Só que em meio a toda essa reciprocidade que eu vejo, tem um monte de gente duvidando da gente. Talvez não da nossa veracidade, mas da nossa capacidade de ir adiante apesar das fortes ondas de negatividade. E eu tenho tanto medo de, por acidente, me desgrudar de você na correnteza e me afogar. Eu não sei nadar. Eu preciso de você pra me manter sã e na superfície desse mar.
Uma confissão: às vezes eu me fantasio de auto-suficiência e escondo meu ciúme no mais escuro dos meus porões, só pra não fazer você se sentir preso e desconfortável ao meu lado. Porque eu abomino tudo que possa te fazer não querer ficar na vida que pensamos pra nós dois. Eu finjo não ligar ou não perceber, quando tantas mulheres te lançam olhar de cobiça porque, afinal de contas, você é um cara muito sexy e desejável. E no meu silêncio disfarçado de não-ciúme, fico esperando que elas nunca saibam o quanto você é perito em saciar os desejos que desperta. Eu que o diga muito bem.
Eu te amo com tudo o que tenho e te peço, por favor, me ame com o que você puder amar. Sem cobranças, sem pesos, sem nada que agrida a naturalidade da qual o nosso amor precisa pra viver. Sem amarras. Eu aceito o seu amor como ele é.
Tenho que ir pra igreja. Todas as minhas melhores amigas estão me atormentando via WhatsApp, me alertando pra tomar cuidado com a hora. Você tá lá me esperando e não vou mais me demorar em ir ao seu encontro. Começar a nossa vida. Eu aceito as angústias e as delícias de ser sua mulher. Pago pra ver. Pago pra amar. E quanto a você, peço de novo: me ame. Como se eu fosse música.
Por esse momento eu sempre esperei
É novidade isso tudo. É inédito que eu corresponda. É inédito que seja correspondida. A hora certa parece ter chegado, absoluta e imponente, como o badalar de um relógio antigo, avisando que um novo dia começou. Um novo tempo. É estranho e lindo que estejamos os dois vivendo isso.
Para mim, a primeira vez que tem corpo junto do amor. Para ele, a primeira vez que tem amor junto do corpo. São primeiras vezes de ângulos diferentes, mas são sinceras. Despidas de culpas, medos, e principalmente mágoas antigas. Nada importa muito, quando é o sentimento que não importa pouco. A gravidade se torna só um detalhe banal perto da enormidade daquele tufão de paixão dentro do peito.
E tudo que me acontece eu quero contar pra ele. E o que não me acontece, eu quero contar também. Como se eu sentisse que nenhuma outra pessoa no mundo me entende tanto, me acolhe tanto, e muito menos me protege tanto assim. Nos braços dele está a segurança que eu busquei, sem encontrar em lugar nenhum.Nos entendemos, nos acolhemos. E escolhemos um ao outro para sermos assim, um para o outro. Nem nos meus melhores sonhos, viver tinha um gosto tão bom assim. É uma mistura de todos os sabores agradáveis ao paladar, só que na alma. Estou leve. Estou feliz. Depois de tanto murro em ponta de faca, posso dizer que consegui fazer do meu coração um cantinho quente, limpo e perfumado, para o amor morar.
E ainda tem a parte das delícias auditivas: a trilha sonora. Ondas que invadem os ouvidos, vibram por todo o corpo e trazem sorrisos bobos aos lábios. É inebriante cantar - e ouvir! - uma música de amor colocando toda a sua verdade nela. "Andar de mãos dadas na beira da praia, por esse momento eu sempre esperei". Ah, Caetano, como eu quis ver chegar o dia em que ia cantar essa sua canção com gosto e fé. Eles chegaram, enfim. O dia e o meu amor.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Finale
Não vai ficar tudo bem. Já está. E não é falso otimismo ou algo que eu digo para você não se sentir de mal. Está tudo bem mesmo. Não ferimos um ao outro e eu acho isso a coisa mais linda do mundo. A serenidade e a leveza com que soubemos adular nossa fogueira de chamas altas é a minha melhor lembrança. Fomos completos enquanto duas pessoas formando uma só coisa. Fomos intensos e calmos, fomos desesperados um pelo outro. Mas fomos simples. Nos respeitamos. Fomos curtos e breves, mas valemos a pena.
Fazia muito tempo que pra mim, essa coisa, o amor, não valia tanto a pena. O fim não é mais um drama. Rola uma lágrima pelo rosto, dá saudade. Mas a vida muda, nós mudamos, e não precisamos fazer disso uma crise. Terminamos, mas cumprimos nossa missão de sermos luz um na vida do outro. Foi tudo delicioso, extasiante, e que bom que nós dois acontecemos. Que bom que nossa história existiu.
Esta é uma sensação nova e estranha, mas absolutamente agradável: pela primeira vez, eu não perdi um amor. Eu ganhei uma história linda pra contar pro resto da vida. Obrigada por esta experiência que eu nunca havia vivido antes. É a primeira vez que há carinho e ternura, depois do amor. Obrigada por curar um coração que andava tão desacreditado da beleza das coisas. Obrigada por me resgatar. Podemos seguir em frente agora, mesmo que separados. E, quem sabe, nossas vidas ainda possam se cruzar por aí.
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terça-feira, 7 de outubro de 2014
Poeminha fora de hora
Eu vou diminuir
Ir para o norte
Esperar que a sorte
Venha me buscar
Não foi culpa minha
Não foi culpa sua
Não foi culpa nossa
Eu me apaixonar
Te faço um verso
Simples, claro
E atesto
Aqui não era bem o meu lugar
Vou lembrar da gente
Te levar na mente
A pele esquenta
Só de imaginar
Vai e nem comenta
Vê se te orienta
Vou seguir meu prumo
Me jogar no mar
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Sonhei que você me lia
Dia desses sonhei que você me lia aqui. E o mais incrível de tudo é que você me lia e entendia todas as minhas entrelinhas. Me descobria por trás de todas as minhas máscaras. Você lia meus escritos piegas, chatos, revoltados, doces... Sabia quando cada um era pra você e sabia cada um dos motivos, dos momentos. Aí a partir desse sonho, resolvi escrever imaginando que você me lê de fato.
Se você me lê, se reconheça como vocativo deste texto, como no meu sonho. E saiba que o que você faz comigo, há anos ninguém me faz. Eu tento todos os dias ignorar. Deus, como eu tento! Às vezes tenho sucesso por uns tempos, mas nem sempre. E mesmo que tenha, não adianta muito. Você volta. Você e sua imponência voltam e derrubam todos os meus argumentos meticulosamente ensaiados, que comumente tentam convencer a mim mesma de que não é nada demais isto aqui pulando dentro do peito. Coração, sabe? É, eu ainda tenho um. Um que funciona, ao contrário do que eu pensava. E dessa vez, eu não vou tomar betabloqueadores, como quando eu era menina, porque sei exatamente qual o meu diagnóstico. Não tem nada a ver com prolapso valvar mitral.
Eu queria ter capacidade de soltar tudo que está preso em mim, e despejar tudo de uma vez, antes que o súbito de coragem passasse. Eu queria conseguir te olhar nos olhos por um tempo que fosse suficiente pra você entender. Mas eu sempre provoco desvios. Fujo. Corro porque amar dói. E ao mesmo tempo, eu não queria estar aqui te falando de amor, como uma completa idiota, mas é que eu realmente não sei o que mais isso pode ser. Vamos usar esta palavra - amor - por falta de alguma outra mais apropriada. Eu poderia falar de paixão, mas ela é só fogo e tem prazo de validade. Você ainda não se estragou, mesmo depois de tanto tempo guardado na última gaveta da minha geladeira. E você já não é mais só fogo: você é fogo, brisa, perfume. Você já virou pacote completo. E isso dá medo.
Não precisa nem levar tão a sério as coisas que eu escrevo aqui, porque eu nunca revelo por completo o que é real ou fantasia. Mas, olha, eu gosto de você pra caramba. No começo era mesmo só isso de atração fatal e querer por querer. Um querer só, solto no mundo, sem razões ou outras coisas agregativas. O querer existe ainda, mas acompanhado. E acompanhado por um monte de coisa linda e boa que você me causa que, como eu já disse, há anos ninguém causava a mim. Desculpa jogar em você tanta coisa confusa ao mesmo tempo, mas é que realmente... (pausa)
- Neste momento, a Autora é calada com um beijo dele, o Vocativo. Como se falasse e não escrevesse. Como se ele, ouvindo suas palavras, pudesse ler de forma não caligrafada: ouvindo, ele lia a alma dela. Beijando, virava co-autor da vida que não é dele. Mas que depois do beijo, passaria a ser. E viriam outros beijos, depois. E outras tantas coisas mais.
domingo, 31 de agosto de 2014
Contra o vento
Nosso amor nasceu às 15h do dia 28 de agosto. Uma criança forte, corada, saudável. Inesperada, fruto de um descuido e da falta do uso de meios contraceptivos. Uma surpresa, mas ainda assim, muito querida. Medos, receios, pudores, grilos e crises foram ao chão, junto às nossas roupas jogadas num canto do seu quarto. Nossas vidas mudaram para sempre, depois que demos luz ao nosso amor.
E seguimos, mesmo diante de todos os ventos contrários. Era um tufão de negatividade e a gente agarrado um ao outro, pra não se deixar levar. Era tanta gente que a gente amava dizendo que a gente não ia dar em nada, que por amor a nós, tivemos que amar um ao outro mais do que aos outros, para não nos contaminarmos. E até certo ponto, isso doía, porque as pessoas que equivocavam pela vida em relação ao que havia entre nós eram pessoas que nos amavam e queriam nosso bem. Mas ninguém parecia entender, nem aceitar. A face bela, rica em sonhos e carinho e cuidado mútuos do nosso amor só se tinha revelado a nós dois. O resto do mundo não tinha fé na gente: todos diziam que acabaríamos feridos, ferindo, perdendo tempo de vida útil e tudo o mais de frustrante que pudesse haver no campo afetivo existente entre duas pessoas.
Se toda aquela gente estava certa, eu adoro o nosso jeito de dar errado. Nossas frustrações são belas parcerias, dois filhos lindos, uma casa de praia, cumplicidade sem fim e um álbum de fotografias com incontáveis sorrisos estampados. Do tipo sinceros.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Aos 15
Odeio momentos assim, quando eu percebo que ainda te amo tanto. Quando minha menina de 15 anos chama a atenção da minha mulher adulta de hoje, e joga na minha cara que sou uma farsa. Minha auto-confiança, minha autoestima elevada... São só a auto-piedade de sempre, disfarçada, escondida atrás de tatuagens, escova progressiva e um bom batom vermelho. Eu tenho uma eterna debutante, congelada e triste, morando dentro de mim. Ela às vezes insiste em me mostrar que não passaram: nem ela, nem você.
No fundo, ainda estou esperando no baile que você não foi. Continuo com o vestido rosa pink bordado pela minha mãe. Continuo sentada com um copo d'água na mão, vendo os garçons empilhando cadeiras, achando que você vai aparecer ali na porta. Mesmo que a meia-noite, da valsa, já tenha passado há 61.320 horas. Sim, eu fiz as contas.
Às vezes adianto um pouco meu relógio interior, e passo de debutante à moça que brinda à maioridade, num piscar de olhos. E a minha eu aos 18 anos está numa festa cheia de gente, apertando um copo de whisky entre os dedos, querendo jogá-lo na sua cara. Querendo, por um minuto, virar Carrie, a estranha, e acabar com seu riso cínico, no fatídico baile em que você foi, três anos depois de não ter ido. Eu com 18 anos, sentindo o dobro da dor, por constatar que as lágrimas derramadas aos 15 foram em vão.
E aí vira uma metalinguagem aguda: eu aos 15, esmurrando por dentro o peito da eu aos 18, que por sua vez, dá unhadas de desespero na parede interna do tórax da eu de agora. Que reajo lavando o rosto, me olhando no espelho e vendo que tenho 15 anos. Por mais que as folhas do calendário tenham se lançado ao vento a cada trinta dias - e isso já aconteceu 84 vezes -, eu continuo com 15 anos, te pedindo perdão por te amar tanto e ser a garota estranha da escola, que nunca estará aos seus pés. Eu fui tantas pra mendigar o seu amor, e nenhuma delas foi do seu agrado. Hoje tenho que ser imensa para abrigar tantas eus em mim. Sou como uma matrioshka russa.
Eu odeio quando a verdade se revela desse jeito, crua, nua, sem pudor. Até as minhas linhas escritas aos trancos e barrancos têm mais sentimento com você no meio, mesmo que sejam tristes. Com você, eu pelo menos sentia dor. É você sair de cena, e eu não sinto mais nada. Eu tenho vinte e poucos anos, mas sou uma menina de 15. Presa no passado. Refém do amor que eu juro todos os dias não mais sentir. Só que eu minto.
domingo, 20 de julho de 2014
Uma questão de escolha
Quando a minha mãe morreu - momento mais difícil e doloroso da minha vida, diga-se de passagem - foram os meus amigos que me valeram. Não me entenda mal, minha família também foi decisiva na minha recuperação. Mas é que eu e meus familiares estávamos todos no mesmo barco, envoltos na mesma dor. Um pedaço de nós tinha partido e não tínhamos outra escolha, que não viver aquele luto.
Mas meus amigos poderiam escolher. E em meio a tantas opções, eles escolheram me telefonar, ficar na minha casa naquela madrugada amarga, estar ao meu lado no velório, enterro, missa de sétimo dia e enxugar as lágrimas que ainda estariam por vir. Foi um longo processo e, hoje eu sei, não teria conseguido sem eles. Uma cena que me marcou muito, em meio a tantas lembranças confusas, aconteceu no velório da minha mãe. A mãe de uma das minhas melhores amigas, uma amiga de infância, me ofereceu seu colo. Posso não me recordar ao certo as palavras que ela me disse naquela hora, mas aquele gesto eu nunca vou esquecer. Eu, com 17 anos na cara, aconchegada no colo da mãe de uma amiga, no momento da dor mais dilacerante que conheci até hoje.
Aquele gesto eu vou levar pra sempre comigo. Porque hoje, passados quase cinco anos, é ele que me faz perceber quão fortes podem se tornar os laços de uma amizade verdadeira. É uma força que vai além de fotos postadas nas redes sociais ou quaisquer outras coisas mais banais. É um doar-se mútuo que nos inclui verdadeiramente na vida uns dos outros, que nos eleva muitas vezes a status de familiares. E por escolha própria. "Bons amigos são a família que nos permitiram escolher": verdade absoluta.
Quando eu sofri de verdade, tive amigos comigo pra me ajudar a segurar a barra e ser gente de novo. E tive amigos que sofreram junto. Choraram o meu choro, e o ajudaram a secar mais depressa. Foi aí que aprendi uma lição para o resto da vida, e que me fez olhar com outros olhos as relações de amizade que construí depois disso tudo. Acho que isso me deu maior sensibilidade e percepção na hora de escolher meus amigos. Porque pessoas especiais aparecem nas nossas vidas por acaso, ou destino... Mas se tornam nossos amigos ou amigas por uma escolha nossa.
De mim, os meus escolhidos têm o amor, os ombros, o sorriso o abraço, e o que de melhor houver... Sempre ao dispor.
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Minha Humilde Opinião
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Soltar âncoras
Eu quero as coisas mais lindas do mundo pra você. Porque eu te amo mesmo, sabe? Independente do que as pessoas pensem ou preconceituem a respeito. Eu te amei pela verdade que você passa. Me veio a verdade primeiro, depois você, com sua lista de incontáveis predicados.
Eu te amo com esse amor sereno, que sabe que se você tem asas, tem mais é que voar mesmo. Esse amor que não te quer aqui se for pra o seu sorriso ter o potencial diminuído. Seu riso tem que ser pleno. Você tem que ser pleno.
Eu te amo com esse amor que é forte, sim, não se importando com os ventos contrários. É por ser forte que ele te liberta. É por ser forte, que ele bebe todos os dias suas doses de realidade e reconhece que a renúncia é o lugar que lhe cabe. Reconhece que você merece as coisas mais lindas da vida e eu não pertenço a esse grupo de coisas belas, merecedoras de serem apontadas como causa da sua felicidade. Não sou eu que mereço menos, é você que merece mais.
Quem nasceu para ser o centro, jamais deve ser tábua de salvação. Você não merece se dedicar a derrubar meus muros e salvar minha alma. Você não merece arredores. Você merece estar alicerçado bem no meio do terreno. Você merece muito mais do que eu - por mais que te ame - posso oferecer. Meu solo está cheio de erva daninha e a última coisa que eu quero é te contaminar. Vai, e sorri. E lembra que, ao te ver sorrindo, de longe, eu vou sorrir sincero daqui, em resposta.
Vai sem culpa de me deixar pra trás. Não é por sua causa que eu tô presa aqui, neste lugar. E não é porque estou impossibilitada de ir mais longe que vou impedir o seu voo. Vai. Ao te ver partindo, eu não tô triste, não. Eu tô é leve.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Dopo il parco giochi: a sirene
São 22h32 de uma terça-feira e eu deveria mesmo dormir. Porque dormi pouco na noite passada. Porque quarta-feira é um dia útil, e eu trabalho. Porque, porque, porque. Mas estava lendo um livro e resolvi escrever sobre como eu deveria estar dormindo agora, e não estou. Sobre como eu poderia estar trabalhando no meu projeto freelancer agora, mas não estou. Sobre como minha vida poderia ser diferente, mas não é. Sobre como eu deveria ter escolhido outra coisa que não Jornalismo pra profissão, mas escolhi. Sobre como esse texto deveria não ser sobre você, mas é. Sobre como eu não deveria me apaixonar, mas acho que levei uma rasteira. Sabe como é, prefiro dizer que estou levando uma rasteira, estou em vias de cair, do que me dizer apaixonada. Eu não me apaixono, afinal de contas. Não mais.
"Garota linda, de cabelo curto, rejeita a autoridade e não consegue resistir a um cara que ela sabe que vai ser um problema."
Tirando obviamente o "linda", essas palavras do livro que estou lendo quase falam de mim. E digo quase porque eu tinha desistido de você, sabe? Eu sempre soube que você não prestava. Eu tirei você da cabeça, porque aceitei sua completa babaquice e outros fatores me deram distração. Mas foi quando eu desisti, que baixei a guarda sem perceber. E foi quando eu baixei a guarda, por simplesmente não me importar mais, que a gente se aproximou como pessoas normais, que convivem uma com outra, fazem. E agora quem vê de fora pode até chutar que a gente é amigo. Eu diria que não chega a tanto. Mas devo admitir que me troco e me relaciono e me vivo com você muito mais do que com outra meia-dúzia de pessoas que também estão enquadradas no nosso contexto. Escrevi esse último pedaço sem vírgulas de propósito, porque o pensamento está me ocorrendo assim, sem pausas. A gente é quase amigo e começou tudo de novo dentro de mim porque eu dei a merda de uma pausa no assunto "me-sentir-muito-atraída-por-você". A culpa é do intervalo. No fim, foi feito um atleta recuando para pegar impulso, um doente terminal e a sua "melhora da morte". As coisas encontram seu lugar só para se embaralharem depois, de uma maneira ainda mais complicada. Quando a sirene avisa o fim do recreio, a aula que segue sempre parece mais difícil.
Continua...
terça-feira, 25 de março de 2014
Antonius
Não é verdade isso, que deveríamos ser melhores amigos? Um dia, acho que fomos. Mas isso já faz muito tempo. Como quase tudo de memorável na minha vida, eu tinha dez anos. Nossa cumplicidade caiu em algum dos 365 dias do ano de 2002 - que eu nem lembro se foi ou não bissexto -. Ela caiu e ficou lá.
Desde então eu vivi pra esperar que você se importasse. Esperar que você viesse e entrasse em sintonia comigo. Esperar que você fosse o herói no qual eu acreditei durante os meus dez primeiros anos de vida. O herói no qual eu me enrosquei todas as noites, quando era menina, pra tirar o primeiro cochilo antes de ir pra minha cama, porque debaixo da sua asa era mais seguro. Mas deixou de ser. Não por falta de segurança, mas pela sua asa que se fez ausente. Por você, que se fez todo ausente. Que depois voltou, de corpo presente, mas nunca mais voltou de verdade. Nunca mais foi inteiro.
Diante de tudo, me pergunto... A gente se conheceu algum dia? Você realmente acha que sabe quem eu sou? Por que o longe se faz alento, quando devia ser tortura?
Esta sou eu, querendo te amar À distância, pra preservar alguma beleza que ainda resta. Pra conseguir não deixar de te amar. Pra te fazer ainda valioso e inestimável, em algum lugar dentro de mim.
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Diferença rimada
Ele só dorme
Quando eu me levanto
Vinho que sorve
É tinto
O meu é branco
Mas eu não minto
Dele eu gosto tanto
Que até voltei a rimar
A gente é diferente
Mas se agrega
Numa fé cega
De quem sabe amar
E se a gente não se encontrasse
O acaso escrevia uma frase
Eu seria sujeito
Ele predicado
Contendo meu verbo
E todo meu passado
E todos os tempos que estivessem por vir
E nem importa
Se ele pensa em futebol
Enquanto eu quero ver novela
Fechei a porta
Mas ele é farol
Sua luz entrou pela janela
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