Marcadores

Mostrando postagens com marcador ódio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ódio. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de janeiro de 2015

Sua



Porque bateu de novo essa vontade
De chegar mais perto de você
De te ver chegar sem muito alarde
E com o olhar meu corpo aquecer

Mas aí me lembro como é tarde
E isso aqui bem no meu peito
Não pode, não deve ser amor
Se não faz sentido, nem é direito
Você, de existir, me despertar calor

Eu só sei que a boca cala
E o corpo pede
E a memória lembra o que nem foi

Você é meu inferno plural
Pronome singularmente astral
Que é único, mas muito para ser um só

Te amo pedindo pra te odiar
Te odeio jurando não te esquecer
Me afasto querendo me aproximar
Te toco implorando pra enlouquecer

Sou barco à deriva
Vou onde a maré levar
Com uma vontade ensandecida
De sonhar com você
Pra não acordar

Vou me perdendo na chama
Que me consome
Sendo terreno fértil, abandonado
Mas escriturado
No seu nome

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Invasão

Amanheceu e eu não preguei o olho. Enquanto o sol se espreguiçava timidamente sobre o mar, eu fazia um esforço de míope para enxergar as gotas de orvalho beijando as folhas das árvores. Minha garganta estava seca... Como o meu coração. Era um domingo que começava cheio de perguntas sobre um sábado que poderia ter sido. E que não foi.
Seria possível que, a essa altura do campeonato, ainda fosse amor? Seria o ódio uma máscara escondendo a verdadeira face de um sentimento que nunca mudara? Não gostava de pensar na hipótese de que eu nunca o tivera esquecido, de fato. Alguma peça não se encaixava e em algum pedaço da história havia uma mentira. Mas em qual?
Não importava a que conclusão eu chegasse, a verdade é que a presença dele me incomodava mais do que sua ausência, acho. No entanto, eu tinha um argumento plausível para querer vê-lo: pisá-lo. Mas também não o queria por perto, crescente era a raiva que brotava em mim.
Eu poderia tê-lo visto naquele sábado, quando ele se inclinou até o meu habitat. Eu poderia tê-lo humilhado, assumindo um ar de superioridade, jogando-lhe na cara meu presente glorioso, em contraste com o fiasco de passado que ele me é. Mas recuei assustada... O destino não quis que eu presenciasse a cena dele tentando inserir-se naquele lugar que agora é minha segunda casa. Me incomoda a possibilidade de ele fazer parte do meu dia-a-dia outra vez. Se ele estiver presente em minha rotina de novo, de todo jeito terá sido em vão a minha vida nova, e algo em mim haverá de sucumbir. E então agora faz-se hora de desejar a ele o melhor, do fundo do coração. Não sendo altruísta como antes, mas num gesto de amor próprio. Porque se o melhor lhe for garantido, ele permanecerá distante e o meu novo mundo intocado.