Junto ao primeiro sol do ano
Que a gente se mereça
Que não seja engano
Que a gente plante rosas
Que tenha verso e prosas
Pra gente se rimar
Neste ano novo, de uma vida breve
Que o vento passe e leve
O que nos afastar
E foi assim que ele me salvou a vida. A tempestade já havia passado e eu teimava em ficar trancada no quarto, com medo da dor. Me mantinha imersa na escuridão daquele cômodo de meu ser, por não acreditar que depois de tanto vento, raio e chuva, o sol pudesse aparecer novamente. Meus olhos já tinham se desacostumado com qualquer tipo de luz quando ele chegou, me encandeando. Entrou devagar, mas era como se o próprio sol estivesse me adentrando a alma, tamanha era a luz que emanava dele. O seu sorriso, mesmo quando dado em silêncio, me causava um êxtase tão profundo, que eu chegava a ouvir o tilintar dos sinos angelicais. E ele trazia o céu nos olhos. Era como uma manhã de primavera encarnada, feita gente, e que viera visitar-me em meu vácuo sombrio. Tinha todos os aspectos agradáveis que essas manhãs costumam ter: as cores, o som e o perfume.