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domingo, 20 de julho de 2014

Uma questão de escolha


Quando a minha mãe morreu - momento mais difícil e doloroso da minha vida, diga-se de passagem - foram os meus amigos que me valeram. Não me entenda mal, minha família também foi decisiva na minha recuperação. Mas é que eu e meus familiares estávamos todos no mesmo barco, envoltos na mesma dor. Um pedaço de nós tinha partido e não tínhamos outra escolha, que não viver aquele luto. 
Mas meus amigos poderiam escolher. E em meio a tantas opções, eles escolheram me telefonar, ficar na minha casa naquela madrugada amarga, estar ao meu lado no velório, enterro, missa de sétimo dia e enxugar as lágrimas que ainda estariam por vir. Foi um longo processo e, hoje eu sei, não teria conseguido sem eles. Uma cena que me marcou muito, em meio a tantas lembranças confusas, aconteceu no velório da minha mãe. A mãe de uma das minhas melhores amigas, uma amiga de infância, me ofereceu seu colo. Posso não me recordar ao certo as palavras que ela me disse naquela hora, mas aquele gesto eu nunca vou esquecer. Eu, com 17 anos na cara, aconchegada no colo da mãe de uma amiga, no momento da dor mais dilacerante que conheci até hoje.
Aquele gesto eu vou levar pra sempre comigo. Porque hoje, passados quase cinco anos, é ele que me faz perceber quão fortes podem se tornar os laços de uma amizade verdadeira. É uma força que vai além de fotos postadas nas redes sociais ou quaisquer outras coisas mais banais. É um doar-se mútuo que nos inclui verdadeiramente na vida uns dos outros, que nos eleva muitas vezes a status de familiares. E por escolha própria. "Bons amigos são a família que nos permitiram escolher": verdade absoluta. 
Quando eu sofri de verdade, tive amigos comigo pra me ajudar a segurar a barra e ser gente de novo. E tive amigos que sofreram junto. Choraram o meu choro, e o ajudaram a secar mais depressa. Foi aí que aprendi uma lição para o resto da vida, e que me fez olhar com outros olhos as relações de amizade que construí depois disso tudo. Acho que isso me deu maior sensibilidade e percepção na hora de escolher meus amigos. Porque pessoas especiais aparecem nas nossas vidas por acaso, ou destino... Mas se tornam nossos amigos ou amigas por uma escolha nossa. 
De mim, os meus escolhidos têm o amor, os ombros, o sorriso o abraço, e o que de melhor houver... Sempre ao dispor.

domingo, 14 de agosto de 2011

"Omnia vincit amor"

Crescemos. A verdade reina absoluta e a ficha uma hora cai. Olhar e ver uma linha do tempo cada vez mais extensa atrás de nós causa espanto, nos deixa boquiabertas ao ver os vários anos que se passaram. Diante de tamanha admiração, até perdemos o foco. Ora, o impressionante mesmo não é o tempo ter passado, mas sim termos passado juntas pelo tempo... Por tanto tempo!
Quem, conhecendo nossa história, ainda terá a ousadia de dizer que as diferenças podem pôr fim às coisas? Nossa relação com o "diferente" tem de ser uma troca de respeito: respeite as desigualdades e elas sorrirão para você. No nosso caso, por exemplo, se fóssemos parecidas, tenho certeza de que não mais estaríamos juntas. Precisávamos ser completamente diferentes, ter personalidades extremamente distintas para que uma tivesse o que acrescentar à outra. Num grupo de pessoas iguais, seus integrantes não têm nada a oferecer, nada a aprender, nada a ensinar, nada a desvendar. Não ganham, não perdem, param no tempo porque falta areia na ampulheta. Mas nós somos diferentes, e prosseguimos.
Crescemos juntas, mudamos juntas, mas sempre temos algo a trocar e por isso sempre há um novo punhado de areia a ser colocado em nossa ampulheta. Assim, o tempo não nos pega, não nos afasta, não nos retém. Conseguimos a proeza de ver na diferença mais do que um pequeno detalhe: ao invés de empecilho, ela nos é adubo, força, sustento, alicerce. Somos a consequência do milagre de saber que o que realmente importa vem de dentro.
E que continuemos nos desdobrando neste milagre, fazendo com que ele se multiplique e jamais se gaste. Sei que crescemos, mas não percamos jamais o brilho infantil no olhar. Só se cresce bem, quando se conserva um lado criança dentro de nós. É o nosso "pequeno eu" que sustenta nosso "eu adulto", quando necessário. E é firmes e fortes que poderemos continuar sendo sustentáculos umas para as outras, pela vida afora.
Mais uma etapa das grandes é chegada... Entremos nela com coragem, cabeça erguida e riso nos lábios. Crescer é difícil. Mas viver não teria graça se fosse fácil. Agora nos juntemos para ver a lua, porque ela está a caminho e já é um muito amado marco em nossa linha do tempo. É, meninas... Nós crescemos.




• Para:
Priscila Garcia Ruzzante Marins
Thaís Moura
Bárbara Tavares
Sarah Farias
Eu amo muito vocês! ♥
♪ "Eu estou ao seu lado, no mesmo compasso, vendo a lua aparecer. Ela me disse que passou pra ver se era amor que nascia aqui..." ♫ - E era amor. Sempre foi! "Omnia vincit amor" = "O amor vence tudo": até o tempo... E a distância.