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sábado, 21 de dezembro de 2013

Altruísta? Egoísta!


Queria conseguir mensurar o quão idiota eu me torno, ao colocar seu nome diariamente nas minhas preces noturnas. Ou melhor, não queria, não. Acho que que eu teria muita vergonha de mim, ficaria constrangida na minha própria presença. É muita falta de bom senso.
Pelo amor de Deus, onde já se viu? Eu, colecionadora de fragilidades, portando todo esse instinto protetor? É dose, mas não sei amar de outro jeito. E estando você fora do alcance dos meus cuidados, eu rezo. Converso com seu anjo da guarda, bato altos papos com ele de madrugada, como se tivesse esse direito. O meu anjo fica até com ciúme, mas é que acho mesmo o diálogo com o seu guardião mais divertido. Porque tem você no meio. Porque envolve a forma como você ri, dorme, acorda e vive. E você é bem melhor do que eu. Eu não tenho graça nenhuma, e meu anjo só sabe falar de mim.
Todas as noites, ao encostar a cabeça no travesseiro, me imagino abraçando seu anjo bem apertado, chovendo no molhado e dizendo para ele cuidar de você, como se a existência dele tivesse alguma outra razão que não essa. Velar toda a sua vida, ficar à espreita de todos os seus pensamentos, movimentos, sentimentos e decisões. Eu invejo tanto o seu anjo... Que minha reza chega a quase ser pecado. Que meu amor, em forma de oração, beira o egoismo. 

sábado, 15 de maio de 2010

Ser seu anjo.

A distância que há muito tempo vinha sendo mantida entre os dois, parecia nem incomodá-la mais. O incômodo que ela sentia se dava justamente pelo fato de não se sentir incomodada. Ela sabia o quanto amar é doloroso, e temia que o amor a tivesse abandonado o peito, já que não mais doía. Enquanto se contorcia de dor, conseguia ser feliz. Agora, ao invés de aliviada, ela se sentia vazia.
Era comum em seus devaneios amorosos, ela pensar que ele seria como um anjo da guarda. Ora, mas que belo anjo! Quando ela mais precisava de apoio, ele foi incapaz de desprender-se das fofocas juvenis de outrora para estender-lhe a mão. Contemplou-lhe o sofrimento de longe, e sabia o quanto ela se encontrava dilacerada por dentro. Foi como ver um enfermo debater-se, ter um poderoso e exclusivo analgésico nas mãos e não fazer nada.
Depois de se reerguer, ela se convenceu de que ele não poderia ser seu anjo. Agora, distante dele como nunca estivera antes, ela começava a pensar em toda sua trajetória como incondicional apaixonada. Percebeu, então, que era ela que possuía as qualidades de anjo. Esteve sempre observando os passos dele, amando-o, intercedendo, com um instinto protetor que não se poderia descrever. Ela sempre fora o anjo da guarda dele.
E por ser seu anjo e amá-lo sem pedir nada em troca, ela tinha de acreditar que a ausência de dor não era de fato ausência. Talvez estivesse lhe doendo tanto, que nem fosse possível sentir ou perceber. Ela precisava ainda crer no amor. E para isso, ela tinha que crer que ainda havia dor.