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domingo, 7 de agosto de 2011

Ao maior amor da minha vida

Se de onde você está ainda pode ouvir meu coração, o ouça dizendo quanta falta você me faz. Até as alegrias se tornam mais difíceis com sua ausência em volta. Mas não fique triste por mim, tenho sobrevivido como posso. Não trago mais no peito aquela tristeza, nem a revolta do tempo de sua partida, mas a saudade também pode fazer dor na gente vez em quando.
Só o que foi realmente bom pode fazer falta depois que termina... Ou se vai, como no seu caso. Não ter mais o seu colo para chorar nos momentos de dor é ruim, mas não ter o seu riso mais sincero nas minhas vitórias, consegue ser pior. De todas as pessoas do mundo, a que mais gostaria de ter ao meu lado em minhas conquistas era você: para multiplicarmos alegrias só para que elas pudessem ser dividas entre nós duas, sem se gastarem.
Nenhuma manifestação de orgulho substitui a que eu sei que você manifestaria. Nenhum abraço de congratulação me dá a força para continuar que o seu me daria. Se é verdade o que me disse, que "nunca se vai para sempre quando se deixa saudade", você não foi. Mas a razão me trai e chama meu coração de bobo, quando teimo em lhe sentir por perto. Não sei para você aí, mas aqui às vezes não é nada fácil, mãe.
Acho que agora você entende o caminho que escolhi. Espero que de onde está possa me ver, e sentir orgulho. E espero mais ainda que esse longe se faça perto, e você seja meu anjo da guarda. Não importa o meu ofício... Independente da minha profissão, quando eu "crescer", o que quero mesmo é ser como você.
Ah, e não esqueça de tomar um pedaço dessa minha alegria. Sabe como é, se ela também não for sua, não tem muita valia para mim. E por favor, lembre-se que você é aquela a quem eu mais amo. Eu lhe amei até seu coração parar de bater... E mesmo depois disso continuo amando. Cada dia mais.
Você sempre vai ser a minha fortaleza... E o meu amor.
Um beijo repleto de saudade e o abraço mais apertado,
da sua filha que lhe tem "sempre-em-mente". ♥

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A metáfora do breu


Naquela noite eu vi uma metáfora. Ela se apresentou à mim em sua forma literal, e demorei algumas horas para entender seu real propósito.
A madrugada começava a se espalhar pelas ruas, e estávamos envolvidos por todo conforto, comodidade e tecnologia oferecidos pela vida urbana. Até que de um segundo ao outro, num simples piscar de olhos, tudo era escuridão. Um breve olhar pela janela do quarto já me mostrava que o escuro se estendia por boa parte do meu bairro, e alguns telefonemas depois, me dei conta de que minha cidade inteira estava apagada. Usando um único fio de tecnologia que ainda estava disponível às minhas mãos, soube que o escuro havia alcançado lugares ainda mais distantes. Eu não estava sozinha: outras milhares de pessoas, em outros tantos lugares, dividiam comigo aquele vácuo escuro.
As horas se arrastavam preguiçosamente e a iminência do tédio era real e óbvia. Mergulhada no breu, eu só tinha a opção de olhar em volta: olhar em volta, e nada ver. Quando tudo à minha volta fazia-se nada, pela falta de luz, certos pontos luminosos acima de minha cabeça mereceram minha atenção. Ah, as estrelas... Algumas já eram velhas conhecidas de meus olhos, outras (tão várias!) brilhavam como que dizendo "muito prazer". O céu parecia em festa com tanto brilho, e eu me perguntava qual seria o motivo de tamanhas beleza e celebração. Foi então que percebi que a presença de tantas bolas de ar quente juntas não era algo excepcional: elas sempre estiveram ali. Raro e talvez inédito, era que pudessem ser vistas daquela forma.
Pois bem, este foi o exemplo mais metaforicamente literal que pude ter, acerca dos mistérios da vida. Era preciso que estivesse tudo tão escuro para que aqueles brilhinhos sublimes se mostrassem. As estrelas sempre estão nos seus devidos lugares, mas são ofuscadas pelas luzes da cidade. Uma aqui, outra acolá, ainda se mostram timidamente aos nossos olhos incandeados pela urbanização. As mais teimosas são as que vemos normalmente, são as que fazem força para serem vistas. Mas sem querer desmerecer-lhes o esforço, muitas vezes elas não são o bastante para darmos sorrisos ao céu. Contemplar um céu estrelado em demasia nos dá prazer, satisfação e felicidade em escalas muito maiores. Mas para isso é preciso que todas as outras luzes se apaguem.
E muitas vezes é assim que acontece conosco. Escuridão é sinônimo de desespero. Quando nos vemos assim, sem nada ver, nossa vulnerabilidade causa espanto e medo. É natural... Fala-se muito que dor é inevitável e sofrer é uma opção: fato. Quando tudo se tornar nada e sua única certeza for a falta de luz, olhe para o alto e veja os vários pontinhos luminosos lhe sorrindo. Na vida às vezes é preciso que se apaguem as luzes sintéticas (que julgamos tão importantes, imagine!), para que possamos contemplar a verdadeira constelação que existe em nós, normalmente ofuscada pelas pseudo-luzes que insistimos em carregar ao nosso lado por aí. Pense bem.