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domingo, 2 de maio de 2010

Guerra.

Se antes do casamento a vida dos dois já não era só flores, depois da união formal restaram apenas espinhos e galhos secos.
Discutiam, diziam palvras sujas. As promessas que deveriam ser de amor, eram na realidade, de ódio. Se engalfinhavam, rolando no chão, como duas crianças que se estapeam quando querem um mesmo brinquedo. E eles dois realmente queriam o mesmo brinquedo: F-E-L-I-C-I-D-A-D-E. Mas ao invés de utilizá-la para ambos, duelavam por ela. Só seriam realmente felizes quando compreendessem que a felicidade não diminui quando dividida, mas que aumenta, multiplica.
O que deveria ser um lar feliz, era um campo de batalha, onde eles se encontravam em eterna guerra. E o "felizes para sempre", cada vez mais se afastava deles.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Secret love.



Eram ambos adultos e maduros. Mas quando se encontravam, um diante do outro, a infância lhes voltava à mente e aos corações.
Para ele, ela era uma menina de quem ele precisava cuidar. Para ela, ele era como um raro menino gentil, que a protegeria dos valentões da escola.
Se conheceram num dia de chuva, quando a agitação da grande cidade perdeu-se na calmaria dos olhares que trocavam.
Horário de almoço, e o tempo de duração do intervalo tornava-se pouco, por causa de tamanha agitação.
Eles se esbarraram na praça, e já se preparavam para serem grosseiros um com o outro, quando aquele primeiro olhar os calou. E não calou só a eles: mas ao barulho da rua, aos carros passando. O ruído da água da chuva encontrando o concreto no chão, parecia tão distante, que era preciso esforço para ouví-lo.
Almoçaram juntos naquele dia. E no outro, e no seguinte também. Repetiram o intervalo juntos todos os dias. Perdiam a hora do segundo turno de trabalho, um contemplando o outro. Perceberam que não importava quanto tempo teriam juntos, sempre desejariam mais. Passaram a ver-se nos dias de folga: feriados, fins de semana, férias. Viajavam juntos, sem sair do lugar.
Eram adultos, eram crianças. Nisso se traduzia a tamanha pureza que envolvia o amor dos dois. Não era uma paixão ardente, avassaladora e cheia de desejos. Não era dessas paixões comuns entres os adultos. Era algo quente, mas na medida certa, pra se aquecer num frio inverno, não para queimar demais. Era um amor... Que muito mais que quente, era puro.




Música: Ela/Ele
Voz: Sandy
Álbum: Manuscrito
Composição: Sandy
Imagens: Cenas do filme "UP - Altas aventuras"
Vídeo original do Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=pSv1_ibvrVM

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A dor do silêncio.


O seu silêncio ainda dóis nos meus ouvidos
E sem saber o que fazer, me desespero
O nosso amor em poema já foi escrito
Me vendo em cacos, já não sei se eu te quero

É bem mais fácil assim?
Eu desistir no fim...
Será vitória, então, lá pro meu coração?
Isso é pra nunca mais você sorrir de mim

Não dá mais, mas eu quero seguir em frente
Não vou ser covarde, como tanta gente
Não dá mais, mas eu quero te abraçar
Depois de tanto perder
Agora só dá pra ganhar

E quem foi que disse que amar não é sofrer?
Cheguei no limite, mas ainda amo você
.

É assim, o mundo que você me deu.


Estava sentando ao meu lado, numa proximidade jamais vivida antes. Pela primeira vez tínhamos uma sintonia tão sincera, que éramos um só.
Os olhares que trocávamos, eram de fato, olhares de amor. Olhares que traziam um amor explicíto, que jogava feixes de luz por entre nossos cílios. E dessa vez, não era um amor que partia só de mim.
Falava em meu ouvido, me prometia aquilo que eu mais desejei nos últimos três anos: ele, ou melhor... Nós dois.
Estava atônita demais para acreditar, mas a minha vida parecia ter-se resumido àquele instante, em que eu me sentia ganhar o mundo.
Me lembro de ter pedido um tempo pra pensar. Mas que doce seria tal tempo! A situação se havia invertido: agora eu, tinha plena certeza que ele estava esperando por mim.
Enquanto ele prometia o céu, o mundo e tudo, a distância entre nossos lábios era ínfima. Tudo estava em câmera lenta, quando ouvi uma música tocar: "A dor some no vazio que o teu beijo preencheu. Da flor somem os espinhos. É assim, o mundo que você me deu...".
Acordei. Era real demais... Mas como sempre, foi um sonho.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O medo de não me reerguer do silêncio.

Se um dia perdi (mas reencontrei) a metade, ontem eu perdi tudo. E não sei se dessa vez poderei encontrar. O seu silêncio ainda dói nos meus ouvidos, e seguir em frente me parece mais doloroso e difícil.
Tenho medo de permanecer mergulhada nesse silêncio, nesse vácuo. Silêncio que só é quebrado quando você sorri, e resignada, eu choro.
Eu estou com medo. Eu permaneço com medo.
Até quando?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

P-O-E-M-A.


Há tempos não escrevia um. Quis, então, resgatar em mim os versos. Aqueles que sou eu que penso, eu que sinto, eu que sonho, eu que escrevo, mas que não são meus. São sempre teus. Somente.

Máscara, face
E olho, e céu
Esquecimento:
Tormento cruel.
Esqueci-me de mim
E de ti só me lembro
Os versos que te escrevi
Jogaste, sem dó, ao vento
Restos de tua exitência:
Eis com o que me contento!
Será que te amo mesmo?
Ou será que cega, te invento?

sábado, 24 de abril de 2010

Amor... Dor.


Tinha o pensamento vazio, quando li um poema de Wlliam Shakespeare:
"Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto."
Me identifiquei imensamente com os versos, que pareciam falar por mim. Logo eu, que sempre fui tão julgada pelo simples fato de amar. As pessoas pensam que o amor se resume em flores, e eu pergunto: e os espinhos? As flores mais belas, sempre têm espinhos. Nem tudo é somente belo, nem tudo é somente fácil. É também como já diz a rosa, de "O Pequeno Príncipe": "Eu terei de suportar duas ou três larvas, se quiser ver as borboletas". Dor é um processo normal quando se ama. Falta de dor é que é questionável.
Quando senti dor, também lucrei algo: cresci, amadureci, amei. Não me culpo por tanto ter amado, não acho que agi mal. Se você diz que ama, mas esse amor nunca lhe doeu... Você sim é que tem algo a repensar. Não eu, que vivo um amor doído. Quanto mais dor, mais amor.