Os fogos de artifício pintando o céu com multicores, e ela ali, num cantinho da varanda, encostadinha na grade. Olhava tudo encantada, tinha fé no novo. Tinha fé em Deus. Com o coração acelerado e a respiração ofegante, pedia, pedia, pedia.
- Qual o teu desejo de ano novo, menina? - perguntaram.
- Ele. - respondeu com os olhos brilhando.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Amanhecendo
Que nosso amor amanheça
Junto ao primeiro sol do ano
Que a gente se mereça
Que não seja engano
Que a gente plante rosas
Que tenha verso e prosas
Pra gente se rimar
Neste ano novo, de uma vida breve
Que o vento passe e leve
O que nos afastar
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Rosa dos Ventos
Moreno bonito, distante
Se eu nunca te vi antes
Foi pra não me apaixonar
Apaixonada feito agora
Rogando a Deus, Nossa Senhora
Onde é que eu posso te encontrar?
Rosa dos ventos me apontou sentido
Me deu motivo, destino, lugar
Eu voei com medo e tudo
Partindo pro seu mundo
Por favor, me deixa entrar
Eu te vi tanto, mas foi tão pouco
Esse encanto só pede mais
Quero teu colo e quero de novo
Pra esquecer todos meus ais
Vou deixar o tempo passar
O mundo girar
A roseira florir
E eu vou te encontrar
Outra vez
Obs: Rosa dos Ventos é uma obra musical, com letra de Natércia Dantas e melodia de Diego Oliveira
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domingo, 27 de dezembro de 2015
Eu sei que vou te amar
Te escrevo sabendo apenas que você virá. E falo assim, sem mais receio de parecer louca e/ou tonta, só porque sei que você é, em algum lugar desse mundão de meu Deus. É você. E eu exercito a minha fé ao te falar assim, com tanta convicção. Eu te acredito e sigo fazendo de você a minha prece de Natal, meu desejo de Ano Novo, meu pedido a estrelas cadentes. Mas não peço para que você exista, nem que sua chegada seja antecipada. Sei que você é. Sei que você vem. Leve o tempo que precisar para que seja pra sempre. Eu só peço a graça de te reconhecer. Peço o dom de te olhar e, desde a primeira vez, saber que eu vou te amar.
Não, não vai ser amor à primeira vista, essa coisa vazia. Mas, à primeira vista, vou saber ver em você terreno fértil pro meu amor brotar. E então ele não será mais meu, e sim nosso. Vou - vamos! - pouco a pouco cuidando da terra e, quando nos dermos conta... Teremos botões de rosas brotando por todo canto dentro de nós. E mesmo agora, que nem chegou a hora de semear, já me pego olhando as sementes tão lindas e intocadas que tenho em mim, imaginando-as florir. Dentro do peito, meu amor dorme o sono dos justos. Foi quase acordado por alguns, mas ainda não era hora dele despertar. E nenhum dos despertadores era você. Apenas quando você vier é que ele vai se espreguiçar debaixo das cobertas e levantar feliz, satisfeito. Acordar pra vida. A nossa vida. Só você pode me acordar o peito e eu vou saber disso quando te ver.
No mais, desde já desejo que a gente se reconheça, se encontre (no sentido mais amplo que a palavra possa ter) e se ame. Desejo pra gente mãos dadas na beira da praia, sete ondas puladas nos próximos réveillons, dormidas juntos de conchinha, risos doces... E por falar em doce, desejo pra gente algodão doce, bolo de cenoura com calda de chocolate, sorvete, fins de tardes dominicais no parque. Desejo pra gente pores do sol, nasceres do sol, luas cheias, eclipses, banhos de chuva, de piscina, de mar... Mas de chuveiro também vale. Desejo que a minha bagagem não te incomode, só te acrescente; e que a sua seja da mesma forma pra mim. Desejo pra gente voz e violão, letra e música, sons. Uma trilha sonora memorável. Desejo pra gente filhos, dois pares de olhos sempre brilhando, aplausos sinceros de um para as conquistas do outro. Alegrias multiplicadas, dores divididas. Brigas. Pras pazes virem se fazendo amor. Eu desejo tanto pra gente, e desejo tanto a gente, que eu sei: quando te ver, vou ter a certeza de que vou te amar.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Pressa de amar. Prece de amor.
Os dias começavam a variar a velocidade com a qual passavam. Novembro, tão doce, parecia ter ido embora como que em uma semana. Dezembro já chegava mais austero, como que cobrando racionalidade, apontando o fim de um ano difícil. Pela dificuldade toda da vida, o fim do ano era consolo. Mas, por outro lado, era uma espécie de cobrança de realidade. Era algo que parecia querer estipular um prazo de validade para aquela coisa - nova, mas velha conhecida - que teimava em ocupar espaços no peito dela durante as últimas semanas. Só que tudo não passava de abstração. O tempo que aquilo levaria era indefinido. Ela poderia estar curada em um dia, uma semana, um mês, um ano... Ou nunca. Não era possível prever.
E enquanto continuava imersa neste tempo indefinido, seguia sonhando com ele. Todas as noites. Desde a primeira vez que o vira. Os sonhos eram diferentes, mas no geral tinham o mesmo enredo. Era sempre ela indo atrás dele: batendo à sua porta, telefonando, mandando mensagens. Podia ser um sinal do universo para que ela o procurasse. Ou só o reflexo da sua vontade reprimida. Ela queria, mais que qualquer coisa naqueles dias, procurar por ele. Mas não sabia como, e muito menos se era a coisa mais correta e sã a se fazer.
Sanidade. A dela parecia ter se esvaído. Ou estava momentaneamente escondida num lugar que ela não sabia onde ficava. Mas estava tentando não pensar naquilo, naquele momento. Estava estranhando seus próprios desejos e atitudes, porém, achava que a sensação merecia ser desfrutada. Afinal, poderia ir embora da mesma forma repentina como havia chegado.
Era uma agonia inebriante e tudo que ela conseguia fazer era sentir a necessidade de mais. Sentia falta dele como se sente a falta de gente muito especial na vida, só que mal o conhecia. Tinha saudade dos poucos dias em que pôde acordar com ele por perto. Tinha uma vontade desesperada de voltar no tempo. Mas como é sabido de todas as gentes, isso não é permitido a ninguém. Ela teria de construir novas lembranças. Não poderia voltar, só seguir e esperar com todo coração que o encontrasse de novo em alguma esquina, algum lugar. Não tinha mais a quem recorrer, senão a Deus, anjos, santos, rosas... Pedia perdão antes de cada prece, pensando estar gastando sua fé com coisa tão pequena, mas ainda assim, rezava. Suplicava. Fazia novenas. Ficava se perguntando se não seria pecado pedir a Deus o coração daquele moço, com um mundo todo sofrendo tanto por causas mais sérias, mais reais. Mas mesmo assim, não deixava de pedir. Era só o que podia fazer. E era tudo o que faria. E continuaria fazendo. Até que o céu a ouvisse. Até que suas orações a levassem para junto dele outra vez.
sábado, 7 de novembro de 2015
Xeque
Sentiu uma vontade incessante e escandalosa de sair correndo naquele dia. Sabe Deus em qual direção. Talvez para o mar, mas terminaria afogada. Ou melhor, já se sentia naufragar mesmo em terra firme: suas emoções indecifráveis não a deixavam abastecer os pulmões como devia. Inspirava um ar entrecortado. Estava agitada demais para saber onde se lançar.
Dentro da caixa do peito, o coração protestava. E ela não entendia. Era verdade que os tempos não andavam exatamente fáceis, mas aquele mal estar emocional agudo e repentino parecia não fazer o menor sentido. Era a agonia que não lhe permitia discernir. Se fosse capaz de se ouvir um pouco, perceberia que aquele som, ensurdecedor e desafinado, que lhe vinha de dentro, nada mais era que sua alma, em movimento. Estava rompendo mais um de seus casulos. Agora, um no qual nem sabia que havia se enfiado.
O tempo, que até então se arrastava, parecia ter resolvido correr. O calor que fazia àquela época do ano colaborava com o sentimento de ansiedade. Convites: a cidade a chamava para fora, a vida a chamava para ler - ou escrever - as próximas páginas, e ainda tinha aquele quê de hiperatividade, que a intimava a se mover. Tinha que acabar aquela partida, para dar lugar a outras. Era chegada a hora de mais um xeque-mate.
E num piscar de olhos, percebeu: o coração revolto, que bradava no peito, não estava simplesmente batendo. Estava mudando.
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domingo, 4 de outubro de 2015
A verdade
Você foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. Não quero parecer rude. Mas o que se há de dizer sobre esses amores que destroçam a gente por dentro e que tornam lágrimas coisas banais do cotidiano? O (nosso amor) meu amor por você era desses. Meus amigos me viam chorando pelos cantos e já sabiam o motivo. Você. As burradas que você fazia. Aquele seu jeito cheio de si, mas ao mesmo tempo completamente infantil, de fazer piada sobre o que me batia no peito. A sua mania feia de fazer pouco caso de mim quando a sua "galera" estava por perto.
"Ele não te merece": frase recorrente na boca dos meus amigos, que acertavam meus ouvidos e ecoavam dentro da minha cabeça. Mantra alheio que fazia eu me perguntar quão pequena eu poderia ser para caber no teu merecimento. Eu cogitava me diminuir, se fosse o caso de realmente acreditar que era muito pra você e não o contrário. Pra mim, aos meus olhos - míopes -, à minha audição - prejudicada -, aos meus sentidos - tortos -, ao meu coração - eternamente descompassado -, era sempre você o lado grande da história.
Mas sabe o mais irônico? Se eu sorria bobo e largo, todo mundo também sabia que era por sua causa. Você precisava de pouco, muito pouco, para me emanar doçura. Para me dar sonhos bons de madrugada. Suspiros no meio das aulas de Matemática. Poesia - que, claro, eu que escrevia - nas aulas de Literatura. Relatos repletos de alegria apaixonada no meu querido diário. Hoje eu leio as coisas que escrevia naqueles caderninhos e só consigo sentir vergonha alheia de mim mesma. Sim, alheia. Porque aquela não sou eu. Não mais. E você também é o motivo.
Obrigada por me ensinar tanto sobre mim. Te amando, eu vivi um autoconhecimento que talvez eu não tenha mais na vida, de uma maneira tão profunda, e decisiva, e válida. Te amando, vi que perdão é uma arte que demanda mais tempo do que palavras. Percebi, depois de muito murro em ponta de faca, que Deus disse para nós amarmos o próximo como a nós mesmos, logo, se eu não me amar primeiro, não tenho condições de amar ninguém de forma saudável. Depois de Deus, eu tenho que ser o meu primeiro amor. E permanente. Te amando, descobri que é nobre - não bobo - querer o bem a quem nos faz mal. E percebi também que nem todo mal que nos fazem é intencionalmente. Te amando, eu acreditei e desacreditei em destino e alma gêmea. Eu percebi que planos a longo prazo têm grandes chances de serem modificados, porque a vida muda e com ela, a gente muda também. E mudam os quereres. E isso não é ruim! Mover-se é não estar no mesmo lugar, é não querer o mesmo lugar. Isso é rico. Te amando, eu fui de sonhadora-romântica-primordialmente-platônica-iludida-apaixonada-esperando-conto-de-fadas a jovem moderna que escolheu a racionalidade por porto seguro. Percorri esse longo caminho pra depois recuar um pouco e escolher ficar no meio termo. Equilíbrio, enfim.
Depois de te amar, confirmei que amor não acaba, muda. De pronto, onosso meu se tornou raiva, mágoa, veneno, trauma, e depois de tanto despejar dentro de mim essa coisa amarga, virou paz. Virou a história engraçada, inusitada, maluca, infantil e apesar de tudo doce, que eu conto até hoje. Que eu acho que vou contar sempre. Que acho, inclusive, que vou usar de exemplo para consolar as dores adolescentes dos filhos que ainda quero ter na vida, e veja só, não com você. Depois do amor, vivi um tempo de clausura nos meus próprios porões. E vi que fui eu que me tranquei, pelo lado de dentro. E aí, depois de muito te perdoar em silêncio, tive que te pedir perdão. Finalmente reconheci que não era justo colocar na sua conta todos os meus medos e frustrações. Vi que não era certo com você, e nem comigo, eu te usar como desculpa para não seguir em frente. Foi então que pedi perdão a mim, e me perdoei.
Eu te desejo muita luz, muito amor, muita fé, muito axé, muitas coisas lindas, longe de mim. E longe de ti, me desejo o mesmo, que também sou filha de Deus e, hoje sei, não sou menor que ninguém. Amado, você foi a melhor pior coisa que aconteceu na minha vida. Gratidão.
"Ele não te merece": frase recorrente na boca dos meus amigos, que acertavam meus ouvidos e ecoavam dentro da minha cabeça. Mantra alheio que fazia eu me perguntar quão pequena eu poderia ser para caber no teu merecimento. Eu cogitava me diminuir, se fosse o caso de realmente acreditar que era muito pra você e não o contrário. Pra mim, aos meus olhos - míopes -, à minha audição - prejudicada -, aos meus sentidos - tortos -, ao meu coração - eternamente descompassado -, era sempre você o lado grande da história.
Mas sabe o mais irônico? Se eu sorria bobo e largo, todo mundo também sabia que era por sua causa. Você precisava de pouco, muito pouco, para me emanar doçura. Para me dar sonhos bons de madrugada. Suspiros no meio das aulas de Matemática. Poesia - que, claro, eu que escrevia - nas aulas de Literatura. Relatos repletos de alegria apaixonada no meu querido diário. Hoje eu leio as coisas que escrevia naqueles caderninhos e só consigo sentir vergonha alheia de mim mesma. Sim, alheia. Porque aquela não sou eu. Não mais. E você também é o motivo.
Obrigada por me ensinar tanto sobre mim. Te amando, eu vivi um autoconhecimento que talvez eu não tenha mais na vida, de uma maneira tão profunda, e decisiva, e válida. Te amando, vi que perdão é uma arte que demanda mais tempo do que palavras. Percebi, depois de muito murro em ponta de faca, que Deus disse para nós amarmos o próximo como a nós mesmos, logo, se eu não me amar primeiro, não tenho condições de amar ninguém de forma saudável. Depois de Deus, eu tenho que ser o meu primeiro amor. E permanente. Te amando, descobri que é nobre - não bobo - querer o bem a quem nos faz mal. E percebi também que nem todo mal que nos fazem é intencionalmente. Te amando, eu acreditei e desacreditei em destino e alma gêmea. Eu percebi que planos a longo prazo têm grandes chances de serem modificados, porque a vida muda e com ela, a gente muda também. E mudam os quereres. E isso não é ruim! Mover-se é não estar no mesmo lugar, é não querer o mesmo lugar. Isso é rico. Te amando, eu fui de sonhadora-romântica-primordialmente-platônica-iludida-apaixonada-esperando-conto-de-fadas a jovem moderna que escolheu a racionalidade por porto seguro. Percorri esse longo caminho pra depois recuar um pouco e escolher ficar no meio termo. Equilíbrio, enfim.
Depois de te amar, confirmei que amor não acaba, muda. De pronto, o
Eu te desejo muita luz, muito amor, muita fé, muito axé, muitas coisas lindas, longe de mim. E longe de ti, me desejo o mesmo, que também sou filha de Deus e, hoje sei, não sou menor que ninguém. Amado, você foi a melhor pior coisa que aconteceu na minha vida. Gratidão.
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