
Afinal, onde ele havia se escondido até então? Bastou que os olhos dela o avistassem, e ele passou a morar em sua cabeça. Foi um breve momento, numa tarde qualquer... E a noite já rendeu um sonho onde ele estava.
Não, ela não estava apaixonada. Não mais acreditava em amor à primeira vista: com a maturidade que a vida lhe dera, aprendera que amor não se inventa, mas se constrói na convivência. Cotidiano, entre os dois, ainda não existia. Ela sabia o nome dele, desconfiava que ele soubesse o dela. Foram alguns olhares (de cobiça) trocados. E só. E um "só" que foi o bastante para ela sonhar.
Não era desejo, amor, paixão. Não era nada. Era só o medo que ela tinha de amar... E o anseio que ela tinha por esse mesmo sentimento paradoxal: cruel e bondoso, revigorante e assassino, monstruoso e belo. As múltiplas faces do amor a confundiram pela vida afora e o medo não a deixava nem em sonho.
Tinha sonhado com ele, sim. Estava em seu colo, quase que entregue... Mas quando ele lhe pedia um beijo, ela negava. Era o medo que não descansava, nem quando ela dormia. Mas mesmo medrosa ela sentia falta de ter em quem pensar, de ter com quem sonhar, de ter por quem pulsar. E sabe lá Deus (ou não) o motivo, o alvo da vez era aquele rapaz. Que passaria pela sua vida, sem deixar rastro. Ou quem sabe, ficaria.
Oi linda, como sempre um belo texto. Fez-me lembrar da música de Lenine "Medo".
ResponderExcluirMas o medo só fica se arrumarmos a casa para ele, se o convidarmos para entrar e sentar. Se abrirmos a porta ele entra e só sai quando der na telha.
Deixa ele ficar não. Te arruma, pinta a boca, põe um salto, um belo look e diz:
"se não sair vai ficar ai sozinho"
Lembra que o medo precisa da nossa companhia. Ele tem medo da solidão. Irônico não!?
Bjssss no coração