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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Poeminha fora de hora



Eu vou diminuir
Ir para o norte
Esperar que a sorte
Venha me buscar

Não foi culpa minha
Não foi culpa sua
Não foi culpa nossa
Eu me apaixonar

Te faço um verso
Simples, claro
E atesto
Aqui não era bem o meu lugar

Vou lembrar da gente
Te levar na mente
A pele esquenta
Só de imaginar

Vai e nem comenta
Vê se te orienta
Vou seguir meu prumo
Me jogar no mar

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Chão


Eu comecei a me despedir da minha Veneza lentamente. Cada suspiro melancólico que dava no dia-a-dia, dentro do ônibus, era um pedaço de adeus. Eu recebia aquela brisa que vinha do Capibaribe e ficava me perguntando se aguentaria a dor de partir. Sempre odiei despedidas, e em mim, o apego sempre falou mais alto que um monte de outras coisas.
O futuro distante no qual estava a minha vida adulta tinha se tornado presente. Os planos que eu tinha feito pra mim viram chegar a hora de sua execução. Mas agora já não sabia se tinha coragem. Eu, que tanto quis me livrar de tudo que me prendia aqui, agora procurava motivos que me fizessem ficar. Procurava desculpas para não ir embora.
Eu queria crescer e pretendia aprender a fazer isso da forma mais brusca: ficando sozinha, num lugar estranho. Dessa forma, eu enfrentaria todos os meus medos, concentrados num aparentemente único ponto. Mas cheguei a um estágio em que meus pensamentos errantes me fizeram concluir que eu ficaria. Construiria outra vida nova sem mudar de endereço, como já havia feito antes. Percebi que se Deus me desse um amor e um bom emprego, eu não arredaria daqui. Porque não há outro chão no mundo que eu possa chamar de meu.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Soltar âncoras



Eu quero as coisas mais lindas do mundo pra você. Porque eu te amo mesmo, sabe? Independente do que as pessoas pensem ou preconceituem a respeito. Eu te amei pela verdade que você passa. Me veio a verdade primeiro, depois você, com sua lista de incontáveis predicados.
Eu te amo com esse amor sereno, que sabe que se você tem asas, tem mais é que voar mesmo. Esse amor que não te quer aqui se for pra o seu sorriso ter o potencial diminuído. Seu riso tem que ser pleno. Você tem que ser pleno.
Eu te amo com esse amor que é forte, sim, não se importando com os ventos contrários. É por ser forte que ele te liberta. É por ser forte, que ele bebe todos os dias suas doses de realidade e reconhece que a renúncia é o lugar que lhe cabe. Reconhece que você merece as coisas mais lindas da vida e eu não pertenço a esse grupo de coisas belas, merecedoras de serem apontadas como causa da sua felicidade. Não sou eu que mereço menos, é você que merece mais.
Quem nasceu para ser o centro, jamais deve ser tábua de salvação. Você não merece se dedicar a derrubar meus muros e salvar minha alma. Você não merece arredores. Você merece estar alicerçado bem no meio do terreno. Você merece muito mais do que eu - por mais que te ame - posso oferecer. Meu solo está cheio de erva daninha e a última coisa que eu quero é te contaminar. Vai, e sorri. E lembra que, ao te ver sorrindo, de longe, eu vou sorrir sincero daqui, em resposta.
Vai sem culpa de me deixar pra trás. Não é por sua causa que eu tô presa aqui, neste lugar. E não é porque estou impossibilitada de ir mais longe que vou impedir o seu voo. Vai. Ao te ver partindo, eu não tô triste, não. Eu tô é leve.