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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

New life, old life


Minha vida nova agora já nem era mais novidade: havia se tornado rotineira. E eu estava em plena pausa, quando tive de me dirigir à rotina. Era como um presságio do novo ciclo que se iniciaria, como um aperitivo para me lembrar de que logo logo eu voltaria a passar por aquelas ruas todos os dias.
Chegava a ser engraçado, mas eu sentia saudade.
Eu nunca havia pensado que podia sentir tanta falta de um lugar como sentia do meu antigo mundo. Mas ele se fora tornando cada vez mais distante, me escapando por entre os dedos. E a saudade foi minguando. Era o meu mundo de agora que me fazia saudosa. Em tão pouco tempo, me afeiçoei àquele lugar e àquelas pessoas. Eu tinha uma nova segunda casa.
Eu estava experimento de um novo tipo de saudade, dessa vez mais sincero. Eu gostava de "pegar no batente", gostava da "ralação" que aquele lugar me proporcionava. Eu estava me dedicando a algo que me fazia inteiramente feliz, me completava e que me fazia falta de verdade no período de férias. Me recordo que no meu novo mundo, quando um novo ciclo começava, era por ele que me via ansiosa para voltar. Mas no meu novo mundo, ele não existe, não me assombra, não me humilha. No mundo novo que criei pra mim, e no qual tenho vivido, eu costumo voar alto demais. Ele não pode me alcançar.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Inveja


Não sei bem se a inveja causa cegueira ou é causada por ela. O único fato concreto é o de que todo invejoso é cego. A pequenez contida nesse sentimento é gritante: odiar alguém por não ser como ele revela toda mesquinhez de uma alma.
Passei algum tempo tentando descrever a inveja de forma exata, em sua complexidade. Mas é impossível escrever um texto extenso sobre tal assunto. A inveja nada mais é do que a incapacidade de enxergar quão boa a sua própria vida pode ser. E fim.

domingo, 9 de janeiro de 2011

José

Quero alguém que vele meu sono e do meu filho. Alguém que me ame com o que de mais puro houver no amor. Alguém que, na simplicidade de seu coração, confie nos planos de Deus, acima de tudo. Alguém a quem Deus diga: "Cuidai dela!", e ele cuide de bom grado. E me proteja, me ame, e ore por mim. Quero um amor assim: antes de tudo puro, singelo, simples. Amor, de fato.
Príncipe encantado? Não. Quero ser como Maria e encontrar o meu José.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Se eu quiser falar com Deus...


Sufocada pelas quatro paredes do meu quarto, sinto-me vulnerável, e o medo vem se instalar. Aos prantos, eu oro. Sei da fragilidade das coisas, mas sei da força de Deus. Quando não encontro saída em mim mesma, e nem em nenhum outro alguém ou lugar, eu oro. Sei do meu não merecimento, mas sei da misericórdia de Deus. Quando vejo a coragem escorrer pelos meus dedos, percebo que sou demasiado fraca. Mas sei da força do amor de Deus por mim. Quando estou perdida, eu oro e me encontro. Posso estar trancada em qualquer porão sombrio, mas Deus é a chave que me liberta. Por isso, quando não há mais nada, eu oro.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Ele não é anjo


Eu tinha que, voluntariamente, reviver minha própria dor, para não sucumbir. Ele estava ali, diante de mim. À mesma distância da época em que morreria por ele. Mas como me afastei ainda mais nos últimos tempos, essa distância se fez proximidade. Depois de ir o mais longe que pude, o longe de antigamente tornou-se perto.
E estar perto, me balança. É inevitável, involuntário. Vê-lo ali, com o sorriso ainda mais encantador é como um convite delicado e gentil para voltar a esperar, devotadamente, que ele resolva acolher-me em seus braços. Como bom predador, tudo nele convida a me aproximar.
Vendo-o tão angelical, chego a quase ceder. Esqueço que ele não é o anjo que parece ser, por um segundo, me entrego de novo. Mas para não ser tola e subserviente, para poder me amar, causo minha própria dor: revejo em pensamento as cenas em que ele me pisou, revivo assim, todo o sofrimento. Me contorço, mas me lembro. Ele não é anjo, ele não é bom. Ele não me merece.

domingo, 12 de dezembro de 2010

É como Ele me vê

Me entristeço um bocado ao perceber quão fúteis são as preocupações das pessoas. Passei um tempo me importando com que os outros pensavam, mas não demorei muito para cair em mim e perceber de quem é a opinião que realmente importa: do Amor. Do meu maior Amor. Do maior Amor do mundo, que é Deus e ao mesmo tempo homem.
Para Ele, minha essência não está na casca, mas dentro de mim. Uma criança: aos olhos d'Ele serei sempre a mesma menina, a quem Ele sempre amará. Aconteça o que acontecer, venha o que vier. É o amor d'Ele que me importa e só. É o que me mantém viva. Não quero saber como as pessoas me vêm ou se vão me apontar na rua como um caso perdido. Me interessa como Ele me vê, mais nada.

"O que me fascina em Jesus não é só a capacidade de ressuscitar os mortos, de curar os cegos ou os paralíticos, o que me fascina n'Ele é a sua capacidade e coragem de dizer que Deus é pai, um pai que tem preferência pelos piores homens e mulheres deste mundo. Um pai que ama os que não merecem ser amados, que abraça os que não merecem ser abraçados e que escolhe os que não merecem ser escolhidos. Um pai que quebra as regras ao nos desconcertar com seu amor tão surpreendente, um pai que não quer se ocupar com os erros que você cometeu até o dia de hoje. Porque o amor que Ele tem por você, é um amor cheio de futuro. Ele não está preso ao seu passado e a Ele não interessa o que você fez ou deixou de fazer da sua vida. A Ele o que importa, é o que você ainda pode fazer."

"Pode ser que você hoje também necessite ser olhado por Deus com olhos de amor, eu sei que não é fácil a gente conviver com os nossos defeitos, mas desafie-se! Desafie-se a pensar que Deus ainda acredita em você. E se Ele ainda acredita, quem sou eu pra duvidar agora?"

"Se Deus não te acusa, ninguém mais tem o direito."

(Pe. Fábio de Melo)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Gaveta


- E quem disse que amor acaba? Amor acaba? Estou certo de que não. Amor não acaba assim, por coisas pequenas. E nem mesmo por grandes! Amor que é amor mesmo, e que ama, não termina nunca. No máximo, se engaveta.
Tenho certeza que ela não esqueceu de mim. Como poderia ela, tão frágil, tola e devotada, ter-se esquecido dos meus olhos? Logo dos meus... Eu que estive rondando sua existência por tanto tempo. Ela deve saber o quanto ainda me ama. Esquecer de mim, garanto que não esqueceu. Ela só se fez de forte, me escondeu lá dentro dela, como uma lembrança no fundo de um baú empoeirado. Mas eu ainda estou lá. Quem olha de fora, não pode me ver, mas ela pode e eu também. E daqui de dentro, guardado como estou, posso fazer nela alguns estragos.
- E quem disse que amor acaba? Amor acaba? Estou certa de que não. Amor não acaba assim, por coisas pequenas. E nem mesmo por grandes! Amor que é amor mesmo, e que ama, não termina nunca. No máximo, se engaveta.
Tenho certeza de que ainda não o esqueci. A grande novidade do enredo é que o engavetei. Não sinto saudade, pelo menos não tanta. A ausência dele não me causa dor. Só que me engano quando penso que isso o mantém afastado de meus pensamentos. Involuntariamente, eu penso nele o tempo todo. Isso pode ser considerado saudade? Não sei dizer. Não o queria assim, como ele é hoje. O queria como ele costumava ser quando em cada simples olhar se escorregava uma promessa tímida e duvidosa de pertencermo-nos mutuamente.
Esquecê-lo, garanto que não esqueci. Me fiz de forte e procurei mantê-lo escondido, como uma lembrança no fundo de um baú empoeirado. Mas ele ainda está aqui. Quem olha de fora, não o pode ver, mas eu posso. E ele também. E daqui de dentro, guardado como está, ele vem tentando me fazer alguns estragos.
Noite passada me veio atormentar o sono: brigamos no meu sonho. Meu primeiro impulso foi pensar no quanto ele é atrevido. Mas depois de rever em minha mente nossa sonífera discussão, percebi. Ele está dentro de mim em nome do que era. Em memória do bem que um dia me fez. Mas é pelo mal que me andou fazendo que permanecerá guardado, trancado às sete chaves. Não permitirei que venha à tona novamente. Não, amor não termina, já disse. Sempre vou amar quem ele era, mas não quem agora ele é. Amor que é amor não acaba por motivos pequenos, nem por grandes! No máximo se engaveta. Eu engavetei. Muito bem engavetado, se você quer mesmo saber.