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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Cuidado: tímido!

As mãos suam, o coração quer sair pela boca, todos os músculos tremem, a voz falha, a garganta seca, o chão some, o rosto cora e se aquece. A gente quer se esconder, mas não pode, tem que enfrentar. E como sofre um tímido quando está sob pressão!
O mínimo de exposição já é suficiente para deixar uma pessoa tímida em pânico. Não é nada, não. É só o medo de não ser aceito. Num mundo onde gente cruel desfila comumente por aí, todos buscam a aceitação. Mas o receio surge, porque nunca se sabe onde pode ter um vilão.
A gente até tenta estufar o peito, bater o pé e se dizer auto-confiante, despreocupado com o que os outros pensam. Mas a verdade é que uma hora ou outra, todo mundo se preocupa. É hipocrisia dizer que não. Quem é que gosta de ser "desgostado"? Claro que se alguém não gosta da gente, isso não deve ser o fim do mundo... Mas ninguém gosta de não agradar. O problema é que os tímidos têm medo demais de errar... E quando o medo impera, a gente termina errando mesmo. Mas não é fácil deixar as preocupações irem e simplesmente fazer o que der na telha, ser você mesmo, na íntegra.
A maior dificuldade em falar de timidez é não poder classificar os tímidos como "certos" ou "errados", e encontrar um meio termo. É bem verdade que quando a timidez é excessiva, a pessoa pode perder um bocado e se prejudicar seriamente. Mas garanto que até a criatura humana mais extrovertida da face da Terra teve pelo menos uma crise de timidez na vida. Talvez não de uma forma tão perceptível, mas já teve.
Expor a sua assência ao mundo é um ato assustador e de extrema responsabilidade. Mostrar-se dá medo de não ser acolhido. Diante disso, tem gente que trava um pouco, se fecha... São os ditos tímidos. Quem sou eu para julgá-los? Eu mesma faço parte do grupo deles. Quanto mais personalidade, verdade e peculiaridades em geral a gente tem para mostrar aos outros, é maior o medo que dá. Por isso, que todos saibam: os tímidos, na sua maioria, são os que mais têm para externar, acrescentar ao mundo. Isso tanto em quantidade, como em intensidade e qualidade! Nunca subestime uma pessoa tímida e tenha paciência com ela. Talvez seja só um empurrãozinho que lhe falte. E aí, de repente, você pode se surpreender...



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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Estranho jeito de amar

Todos precisamos de alguém que nos mostre o que queremos ser, nos aponte caminhos e direções, nos levante quando caímos e nos mergulhe numa alegria sem fim. Por maiores que sejam o amor e a dedicação de nossos familiares e amigos, nem sempre são suficientes. Precisamos de um mito. Alguém que, aos nossos olhos, faça quase o impossível mas ainda assim seja "gente como a gente". Alguém que nos faça sonhar e acreditar que sonho não morre.
Não importa quão infantil possa parecer nossa admiração por um ídolo. Isso faz parte da vida e é algo necessário. As virtudes de alguém que admiramos nos fazem querer melhorar a cada dia. Não é nada pessoal contra nossos pais, tios, irmãos mais velhos ou outras pessoas importantes que nos cercam... É que vendo de longe, nossa vista parece mais clara, por isso esse nosso desejo de nos espelharmos em alguém não tão próximo a nós.
Mas é claro que, como já dizia a minha avó, tudo demais é demasia. Casos de fanastismo excessivo e alienação são mais comuns por aí do que deveriam. Infelizmente, as pessoas confundem ser fã com doença... Quando na realidade, se bem vivido, o sentimento de um fã por um ídolo pode representar cura. Pode ser a cura de lágrimas, de um momento ruim. Um pequeno gesto de um ídolo pode nos garantir o sorriso por dias. E ídolo só é ídolo quando tem algo de bom a nos ensinar, mesmo que à distância. Fugindo a essa regra, a coisa toda perde o sentido.
Não é bobo ser fã de alguém. Bobo é não sonhar... O amor só engrandece a gente. E quem disse que fã não ama? Ama sim! E só a nível de informação: amor de fã, assim como os outros amores, é construído dia após dia. E não brota do chão, do nada... Ele é concebido em nós e vai crescendo, se fortalecendo, tomando forma até um dia em que não nos dá outra saída que não externá-lo. Assim como todo amor, você tem que primeiro sentir para depois falar. Um "eu te amo" vazio além de ser desrespeitoso, é facilmente reconhecido e faz você perder toda a sua credibilidade como ser humano: todo fã de verdade abomina tietagem vã e tem instinto protetor com relação ao ídolo.
Não imagino a vida de ninguém sem um ídolo. Porque todo mundo, em algum momento, já foi fã de alguém. Ainda que de forma discreta e calada, todos já nutriram por alguma pessoa uma admiração tão sublime a ponto de se sentirem mais leves e felizes. Vou parar de gastar o meu latim tentando explicar o que é ser fã e o que um ídolo representa. Basta a gente saber que é amor. E amor de verdade, até onde eu sei, quanto menos explicável, maior em dimensão. Tudo que posso dizer é que faz bem gostar assim, mesmo que de longe. Porque é de graça e à toa, esse estranho jeito de amar.




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terça-feira, 28 de junho de 2011

Perigosamente indispensável

Só sei que ele é tempero, arde e queima. O seu grande segredo está na dosagem: se for exagerada, pode pôr tudo a perder. Mas não há relacionamento que sobreviva sem ele, que é considerado sinônimo de "importar-se" com o outro. E por que não dizer que o ciúme cega? Ele tem o poder de insuflar a raiva naquele que o sentir. Mas como não o sentir?
Quando se ama, o ciume é iminente. Por mais que se diga, re-diga e se afirme incontáveis vezes que amor não significa posse, é impossível separar estes dois conceitos. Mesmo que você seja um ser que resignado, sofre a dor de um amor não-correspondido, ainda assim o ciúme se faz presente. E não adianta dizer que não. Você pode ter um saldo negativo de esperança e o peito cheio de certeza de que a pessoa que você ama nunca será sua, mas só a hipótese de vê-la com outro alguém já lhe fará sofrer um pouco mais. E isso só reforça a minha tese de que o ciúme é um tempero... E dos picantes! Amar sem ser amado é como ter uma ferida aberta: jogue pimenta nela e o ferimento lhe arderá muito mais.
Ainda fazendo uso da culinária como metáfora, tenho que lembrar o óbvio: comida sem tempero não tem sabor. Amor sem gosto não é amor. Não que o amor só seja provado através do ciúme, mas se ele não nos afetar o paladar, de nada vale. Amor quando chega, geralmente faz bagunça nos nossos dias e vira nossa vida do avesso, e é mesmo essa a função que ele tem! Ele não pode ser nem morno, quanto mais sem tempero!
O difícil mesmo é saber dosar. O que não se pode, de jeito nenhum, é deixar-se dominar pelo cíume. É você que tem que dominá-lo! Por mais árduo que isso seja, mantenha sua cabeça no lugar e funcionando: em certas ocasiões, mesmo tratando-se de paixão, você tem mais é que usá-la. Ciúme não é falta de confiança na pessoa amada, é só medo de perdê-la - e só quem ama teme perder. Mas é preciso que se fique atento, porque esse mesmo medo é que pode nos levar à perda: é feito um diabinho afoito e espaçoso que sussura em nossos ouvidos, e se o dermos muita abertura, ele se põe entre nós e a pessoa que amamos. E aí de tanto temer, nós terminamos perdendo mesmo.
Vou citar alguns versos do poeta J.G. de Araújo Jorge, que com certeza sabia mais da vida e tinha maior afinidade com as palavras do que eu:
"Dosado, o ciúme é tempero
que à afeição dá mais sabor...
Mas, levado ao exagero,
é o pior veneno do amor...

(...)
Perigoso, onipotente,
verdadeiro ditador...
o ciúme é um cego, doente,
ou um doente, cego de amor?"

Diante disso, concluo que o ciúme é comum a todos aqueles que amam. Ainda que se defina o amor como um sentimento nobre, que consiste na doação incondicional e desinteressada em recompensas; na prática, quem ama inevitavelmente quer o amado para si, ainda que de uma forma calada e sutil. Quem quer para si, quer por inteiro, sem dividir. E não querer dividir, já é uma forma de, mesmo sem motivo aparente, sentir ciúme. No fim das contas, ele é indispensável... Mas use-o com moderação.




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segunda-feira, 27 de junho de 2011

E príncipe encantado, existe?

Beleza, inteligência, porte físico, conta bancária... São alguns dos superficiais atributos que podem fazer um simples cara ser considerado príncipe. E então, sendo ele príncipe, passa a ser chamado também de "encantado": por mera conveniência, só para completar a expressão e torná-la audível. E assim temos o príncipe "encantado". (Nota da autora: não subestime as aspas. Neste texto elas têm significado crucial).
Por outro lado, existem caras simples, normais; sem clichês, sem beleza estonteante, sem porte atlético, sem uma carteira recheada; e ainda assim, encantados. Sim, porque é preciso que se saiba que encanto não se vê de cara. Para percebê-lo é preciso toque, conversa, olho no olho, sorriso, dia-a-dia. Se não for assim, não é encanto, porque leva tempo para encantar-se. E diferentemente das tais características principescas, encanto não se define.
Quando se está diante de um cara encantado, pela mesma conveniência que citei no primeiro parágrafo, ele passa a ser "príncipe": para completarmos a expressão e alimentarmos o ego feminino que sonha em encontrar o príncipe encantado. Mas no caso em questão, temos um "príncipe" encantado.
Sei que nem todos compreenderão a diferença. Vou tentar explicar: existem príncipes "encantados" e "príncipes" encantados. Eu, particularmente, prefiro os segundos. É preferível encontrar um "príncipe", que seja "príncipe" por ser encantado; do que um príncipe, "encantado" por ser príncipe. Compreende? Se não, não se desespere. Tudo que você precisa saber é que aquilo que realmente importa está contido no encanto, e não em outro lugar.

P.S.: Se algum rapaz passar aqui, creio que tal regra também seja válida para as "princesas" encantadas e princesas "encantadas".

sábado, 25 de junho de 2011

Enredo

Cultivei aquelas lembranças no meu sonho. A princípio fiquei assustada, por ver aquele conhecido lugar repleto de rostos de gente estranha. Até que velhos amigos me foram aparecendo. Cada um que chegava, era uma história antiga diferente que era lembrada. Não demorou muito para que alguém comentasse sobre nossa quase-história, que era do conhecimento de todos, que todos presenciaram.
E aí senti a iminente vontade de te ver ali, naquela roda de verbalização do passado, porque você também é uma lembrança para mim. Olhei ao redor e parei o lhar nos cantos vazios onde você costumava estar. Meu coração ficou miúdo, e percebi quão cruel fora o tempo comigo: passou depressa, te levou para longe sem ter piedade de minha pessoa.
Foi revendo todas as cenas que protagonizamos, que caí em mim e vi que o tempo não era culpado, tampouco cruel. A culpa e a cruealdade vinham de você, não dele. O papel do tempo era mesmo passar. O seu dever de ser humano era, no mínimo, olhar para o amor que eu lhe ofertava com respeito, mesmo que não o quisesse. Um simples "não" resolveria o problema, mas você preferiu me humilhar silenciosamente.
Hoje, graças àquele sonho, sei porque nossa história não pôde ser, de fato, uma história; e teve de se contentar com o "quase". Nosso enredo era em demasia incomum, não havia trama para se desenrolar: a mocinha se apaixonou pelo vilão, e viveu sofrida para sempre. Fim.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Superficial


Sem dúvidas eu andei crescendo, andei mudando. Passei a enxergar coisas que antes eu nem percebia. As pessoas que me rodeiam são outras, meus objetivos também mudaram. Tenho sido mais mulher do que menina, ultimamente. Estou vivendo minha transição, mas a mulher que há dentro de mim parece prevalecer.
Se exteriormente eu mudei, interiormente tudo é confusão. Porque em meu peito, a menina que se apaixonou por você ainda grita. E tem os gritos abafados pela mulher racional que tenho me tornado. Minha cabeça sabe o que você me fez, sabe por tudo que você me fez passar e tudo que quer de você é distância. Mas no coração é mais difícil de se mandar e ele insiste em chamar seu nome. Para ele, o tempo não passou. Ele ainda bate por você da mesma forma que batia, quando eu acreditava que você me podia amar também.
Como mulher, tenho outras prioridades, outras vontades e me dou mais valor. Como menina, ainda sou perdidamente apaixonada e sofro em vão. O meu eu mulher sabe que você nunca voltará ao que era e nunca pedirá perdão. O meu eu menina também sabe... Mas no fundo, sempre espera.
Ouço as duas discutindo dentro de mim, falando suas qualidades e defeitos, e finjo que não ouço, me faço de forte e sigo. O meu pedaço mulher tem mais argumentos plausíveis e por isso é ele que eu externo. Já o meu pedaço menina, eu tranco lá no fundo de minha alma, na esperança que ela pare de te gritar dentro de mim. Se quem ama realmente sofre, eu sempre te amei de verdade e não foi pouco. Mas o momento de crescer já se faz presente e mesmo que dentro de mim tudo seja confusão, eu permaneço de pé. Porque a razão, agora, me parece muito mais oportuna.
Preciso me ver livre de você, ainda que superficialmente; e é por isso essa minha eterna fuga. Numa paciência ansiosa, espero que alguém me toque, me arranque de dentro de mim, me leve a algum lugar onde nem mesmo sua sombra exista e me faça sorrir de verdade de novo. E enquanto isso, vivo superficial... Para sobreviver.

sábado, 18 de junho de 2011

Ela

Eu já estava acostumada a dormir e acordar com ela, a levá-la comigo para todos os cantos que eu fosse, desde que ela pudesse ir. Às vezes até quando ela não podia, eu insistia em levá-la, burlando regras. Eu precisava doentiamente da sua presença, sem ela eu não seria eu, eu não me manteria de pé.
Com ela eu andava na rua, no ônibus, nos corrredores da minha casa e de todos os lugares. Ela sempre esteve presente em minha existência e eu sempre a amei. Mas amar daquela forma, muitos a amavam. Era comum a quase todas as gentes do mundo. Até que ela começou a me corresponder de um jeito diferente, com um amor ainda maior que o meu. Um amor incomum, intenso, imenso, forte. O amor com o qual ela me olhava me convidava a modificar meu sentimento. Eu sentia em mim o impulso violento de amá-la daquela mesma forma que ela me vinha amando. Mas eu temia. Muito.
Ouví-la, como eu já estava acostumada, era diferente de vivê-la, tocá-la, cantá-la, fazê-la. E era a isso que eu estava agora inclinada a fazer: vivê-la em minha própria carne. Sentia que deveria mergulhar nela e no primeiro contato mais intenso que tivemos, percebi que lidar com ela era muito mais difícil do que supunha.
Durante toda a minha vida eu e ela estivemos num estágio de paquera, mas a convivência quando se torna mais intensa, aumenta também a dificuldade. Tudo em mim queria se entregar, mas meu medo me segurava, prendia minha voz na garganta. Só que ela parecia disposta mesmo a lutar por mim e não me deixou paralizada: puxou-me com medos e inseguranças, e me levou com ela.
Ela me apresentou a alguns amigos e pude ver a grande alegria que a presença dela proporcionava a eles. Quis ser feliz assim também. E ela disse que me faria ainda mais, se eu me entregasse. Eu já estava mesmo em suas mãos, e deixei que ela me levasse para onde bem quisesse. Foi assim que parei no palco, com um microfone nas mãos e o coração na boca. Por mais assustada que estivesse, tudo que eu mais queria era ir e continuar indo com ela. Queria ir ao fim do mundo, ao fim do arco-íris, à toda parte que se houvesse para ir. Já não a tinha mais ao meu lado, mas agora ela estava em mim. Eu era ela, ela era eu, e juntas éramos um só ser numa explosão de amor. Eu ainda tenho medo, mas ela me encoraja a seguir em frente. E mesmo que eu exploda de nervosismo e ansiedade, eu vou... Vou porque a felicidade que ela me oferta eu nunca encontrei em nenhum outro lugar.
Antes que eu esqueça de lhes apresentá-la, se chama Música, a minha amada, minha cura para todos os males. Nem sei tanto sobre ela, tecnicamente, mas tenho aprendido um pouco mais a cada dia. E compenso o que ainda não sei com meu amor, que é grande demais, e acho que basta para vivermos juntas... Em melodia.