Mergulhei e já faz tempo. Não há como retroceder. Amo. Mais que isso, amo intensamente e amo amar. Sofro. Mas amor é dádiva. Como uma flor, tem seus espinhos. Pareço estar em desvantagem, mas estou em êxtase.
Não perco tempo esperando que um sapo vire príncipe e venha até mim montado em seu cavalo branco. Amo o sapo, do jeito que ele é. Silencioso, arrogante, cheio de si. Um sapo que não me ama. Um sapo que sabe que o amo. Envaidecido. Por ele iria muito mais longe do que já fui: cruzaria mais mares, mais desertos. Me afogaria em minhas próprias lágrimas. Buscaria o arco-íris mais belo para que ele sorrisse. Porque quando o vejo sorrir, ainda que não seja por minha causa, tudo vale a pena. A vida vale a pena.
O amor não quer possuir, ouvi dizer. E concordo. O amor nada mais é que uma paixão que evoluiu, passou de estágio. A paixão espera possuir. O amor espera amar, e isso basta. Contentar-se em amar: eis a essência.
Não sei o que os dias frios têm de tão especial, mas trazem consigo uma brisa de nostalgia, ou algo do tipo. É como se eu visse na chuva, que segue seu ciclo de cair, voltar ao céu e cair de novo, um exemplo para me mostrar que o que sinto faz parte da vida. A chuva segue seu rumo simplesmente porque tem de fazê-lo. Eu o amo simplesmente porque tenho de amá-lo. Como se tivesse nascido pra isso. Porque é isso que me basta.
"Mas se quer saber se eu quero outra vida, NÃO, NÃO! Eu quero viver mesmo é pra ESPERAR, ESPERAR, DEVORAR VOCÊ..." - a música chega ao fim no rádio. Se eu a tivesse escrito, certamente não falaria tanto por mim como fala. A música acabou. Meu amor nunca vai acabar.
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